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As tintas

Indústrias investem na produção de tintas
ecologicamente corretas

26/nov/02

Por Harlley Alves

O esgotamento das matérias-primas não renováveis e as pressões para a preservação do planeta estão levando muitas empresas a investir em métodos de produção menos agressivos à saúde e ao meio ambiente. No segmento das tintas, o uso de algumas substâncias nocivas já é proibido. Em outros setores, os critérios seguem as normas internacionais.

Um dos primeiros sinais da preocupação com a produção de tintas com menor interferência no meio ambiente é o crescimento gradativo dos sistemas base d'água, bem mais usados em outros países. Eles vêm substituir a produção com solventes, mais baratos, porém com efeitos nocivos à atmosfera. Para o responsável do setor de desenvolvimento de tintas e vernizes da Arinos Química, Hebert Santana, hoje há uma pressão para que as indústrias trabalhem sem prejudicar o meio ambiente.

O profissional alerta que a tendência conduz ao uso de produtos menos tóxicos e com menos solventes. Nas constatações de Santana, a relação custo-benefício das tintas ecológicas (à base de água) supera a da produção com solventes. 'Você ganha com os fatores ecológicos e com o retorno financeiro, que também é positivo. Há, ainda, maior rendimento, através de materiais com mais pureza, que resultam em tintas mais eficientes.'

Segundo o profissional da Arinos, entre os aditivos não-poluentes que são adotados, estão os espessantes associativos, que garantem a viscosidade da tinta; os dispersantes umectantes, que trazem homogeneização; os secantes; os coalescentes, que modificam a superfície e aumentam o poder de nivelamento e os antepele, aditivo que evita a formação de 'nata' na tinta, como acontece no leite. O uso desse tipo de aditivo é recente no Brasil, sendo a tecnologia para os sistemas base d'água mais utilizada nos Estados Unidos e Europa.

Segundo Nelson Gimenez, do setor de repinturas da Akzo Nobel e membro da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), a proibição do chumbo, por exemplo, ocorre na Europa e nos EUA, não podendo estar contido na formulação das tintas que chegam ao consumidor final. As multinacionais instaladas no Brasil não utilizam essa substância na produção local por determinação da matriz no exterior.

"Necessitamos de aprimoramento e introdução de novas leis", afirmou o profissional. Gimenez lembra que alguns órgãos dos governos federal e estaduais vêm trabalhando para cobrir essas deficiências, tentando minimizar o problema, porém a substituição dos componentes de maior risco à saúde acaba sendo um compromisso politicamente correto das empresas.

De acordo com o consultor em leis ambientais Ricardo Berger, algumas situações recebem imposições regionais para a fabricação de tintas. Caso do governo do Rio Grande do Sul, que condena o uso de metais pesados nas tintas de móveis infantis, brinquedos e nas tintas de embalagens para alimentos.

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