18/nov/10
Os historiadores em geral mostram má vontade para com o período medieval, que teria sido uma época de superstição e atraso, estagnação e crueldade. Trata-se de uma visão preconceituosa, causada pelo ódio à influência exercida naquela época pela Igreja Católica tradicional, de cujo espírito estavam impregnadas, em maior ou menor grau, todas as instituições.
Todavia, a Idade Média foi época de muitos inventos, grandes e pequenos, de cuja origem às vezes não se suspeita. Vejamos, por exemplo, o setor de transportes. Com o desenvolvimento dos mastros, a junção da vela latina e da vela quadrada, a multiplicação dos remadores nas galeras, o reforço do casco por meio de um esporão robusto,obtiveram-se melhores condições de navegabilidade.
No século XI, os europeus começaram a usar ferraduras nos animais; isto lhes aumenta a vida útil e, com a utilização da carreta de quatro rodas, possibilita um distanciamento maior entre a aldeia e os campos.
A pavimentação das estradas, mais fácil e mais econômica, substitui com vantagem o lajeamento das vias romanas.
Nas cidades, a calçada destinada aos pedestres introduziu-se a partir de 1185 em Paris, 1235, em Florença, 1310, em Lübeck. São também criações medievais a chaminé doméstica, a vela e o círio.
A partir do século XII, explorou-se outra fonte de energia: o vento. A mais remota referência conhecida a um moinho de vento foi feita por al-Tabari (falecido em 923), um geógrafo persa de Nihâvand, que alude a uma antiga anedota (datando de 644) sobre um moinho de vento. São conhecidas outras referências, também do século X, a moinhos de vento, que deveriam localizar-se nas proximidades da fronteira entre a Pérsia (Iraque) e o Afeganistão.
Na região de Amadora, Portugal, havia cerca de 100 moinhos de vento. A farinha aí produzida, num sistema pré-industrial, era vendida às padarias que coziam o pão para Lisboa. Embora tecnologicamente desatualizados, os moinhos de vento foram sobrevivendo no campo ainda no século XX, onde se mantiveram compatíveis com as exigências da economia rural.
Um moinho de vento, em sentido restrito, é um moinho que usa a energia eólica como fonte de energia para os seus mecanismos.
Fabricação de tintas
No Brasil, a maior referência que temos é a dos moinhos holandeses. O moinho de vento mais antigo na Holanda é citado em 1240.
Calcula-se que numa única região, perto de Amsterdã, capital da Holanda, devem ter funcionado mais de mil moinhos industriais. Cem anos atrás, a Holanda contava dez mil moinhos, hoje restam pouco mais de mil dos quais 570 se destinavam a moagem de cereais.
O moinho de cereais é apenas um dos tipos assim chamados de moinhos industriais. Durante séculos existiam moinhos serrando madeira, extraindo óleo de nozes e sementes, produzindo rapé, cordas, cimento, papel, giz, chocolate em pó, tintas e até talco para perucas.
A relação com a fabricação de tintas data de 1600, quando aquele país começa a importar em grande escala grandes diferentes variedades de madeiras tropicais, entre elas o pau Brasil para fazer tintas destinadas a coloração de tecidos.
Os pedaços de madeiras com pigmento eram colocados num grande tonel e reduzidos a lascas para serem moídos pelos mós de canto giratórios de 5000 a 7000 kg, até ficarem em pó.
Pouco antes de 1700, os moleiros também começaram a transformar tintas da terra e pós de afiar. As pedras molhadas que vinham das pedreiras tinham primeiro que secar em armazéns e só quando os pintores misturavam os pós de pigmento com, por exemplo, óleo de linhaça, é que obtinham a tinta.
Por muitos séculos a formulação de uma tinta foi uma arte sigilosa, cuidadosamente guardada e passada de geração a geração. Como as tintas eram preparadas em quantidades pequenas, utilizando-se moinhos arcaicos e métodos de misturas manuais e trabalhosos, elas eram caras e apenas disponíveis para um pequeno segmento mais abastado da sociedade.
Com o surgimento da indústria de tintas e vernizes no século XIX, os revestimentos orgânicos ganharam, evidentemente, maior difusão popular.
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