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As tintas

Cura de tintas por radiação ultravioleta
agiliza secagem e não agride o meio ambiente

08/jan/03

Por Harlley Alves

A cura de tintas por radiação pode ser explicada, em uma linguagem simples, como sendo a secagem e endurecimento dos componentes das tintas utilizando a luz do sol. A tecnologia de cura por radiação pode ser feita sob luz ultravioleta (UV) ou por feixe de elétrons (EB) e vem sendo muito valorizada por não liberar os chamados VOC's (compostos orgânicos voláteis) que contaminam a natureza. Nos processos de cura de tintas e vernizes convencionais, solventes orgânicos são liberados na atmosfera, sendo altamente poluidores.

A indústria moveleira foi a primeira a experimentar a tecnologia de cura por radiação no envernizamento das peças produzidas. O alto brilho e maciez que o processo oferece também motivaram os setores de papéis e embalagens a investir nos vernizes UV, mas o processo existe a mais tempo do que se imagina, estando presente nos chips e circuitos internos dos produtos eletrônicos há mais de 30 anos. Aparelhos celulares, computadores, CD's, televisores e peças de carros recebem uma camada de tinta UV, para proteger ou promover a colagem de peças, tudo sem a evaporação de solventes.

O especialista em sistemas de cura por radiação, Rogélio Bernardelli, explica que, com a radiação, de cada 100g de tinta que se utiliza nada é mandado para o espaço. No sistema convencional, a cada 100g de tinta utilizados, 70 evaporam. Rogélio é membro da Associação Técnica Brasileira de Cura por Radiação - ATBCR. Segundo o químico, o diferencial desse tipo de pintura é que seus vernizes e tintas possuem matérias-primas reativas à luz. Entre elas, os fotoiniciadores, que absorvem o calor da luz, enquanto provocam uma reação química que seca a resina.

Processo caro, mas eficiente

Para as indústrias, o maior benefício da cura por radiação é o lucro, além da significativa redução do tempo de secagem. Para o meio ambiente, é a inexistência de emissão de agentes agressores. Bernardelli comenta que a implantação do sistema chega a custar de R$ 15 mil a R$ 100 mil, mas a relação custo-benefício é o que mais tem despertado o interesse dos empresários pelo sistema.

Bernardelli considera sem precedentes a otimização de tempo que a cura UV oferece. Ele observa que processos de pintura, que nos métodos convencionais demandam de três a doze horas para a secagem, passam a ser concluídos em 3 segundos.

Quanto à segurança, o químico diz que a exposição dos objetos à radiação é feita em ambientes fechados e os funcionários são treinados tanto para a operação, quanto para procedimentos de emergência, que paralisam a produção. Rogélio reforça que, nesses espaços, o funcionário fica do lado de fora. No interior da sala, reatores específicos sintetizam a luz do sol em comprimentos de onda que fazem componentes também específicos a cada situação - madeira, paredes, plásticos, vidro - formarem um filme sólido durante a curta secagem. Passou, reagiu, secou.

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