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Notícias

Pintura da estação de trem
dá nova vida a Campos do Jordão

18/jul/08

Uma das mais importantes peças do patrimônio histórico e cultural de Campos do Jordão, a estação de trem Emilio Ribas ganhou vida com a pintura da edificação, reinaugurada dia 17/7.

A recuperação da estação, construída em 1914, foi possível graças à parceria entre a Artesp - Associação dos Revendedores de Tintas do Estado de São Paulo e a Universo Tintas, que doou cerca de 1.500 litros de tintas e se responsabilizou pelo trabalho. A parceria prevê ainda a pintura das estações de Santo Antônio do Pinhal e Pindamonhangaba, localizadas no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

O projeto incluiu um estudo detalhado para o resgate da linguagem arquitetônica do local e a preservação do patrimônio e da cultura. As cores próximas ao amarelo e o ocre da pintura atual tentam representar da forma mais fiel possível as tonalidades do início da construção, quando não havia muita variedade de tonalidades de tintas. No início, além do transporte de passageiros, a estrada de ferro foi importante para o transporte de frutas produzidas pelos agricultores da região.

O presidente da Universo Tintas, Douver Martinho, e o da Artesp, José Clemente Garcia, participaram da reinauguração da estação central da Estrada de Ferro Campos do Jordão, assinalando que a iniciativa da parceria tinha como um de seus objetivos mostrar que, com pequenas intervenções, como uma pintura, é possível recuperar uma obra deteriorada. “A estratégia é a de tornar esses pontos históricos como mais uma atração turística daquelas regiões e transmitir aos visitantes a idéia de que a tinta possui grande poder de inovação e embelezamento do ambiente”, assinalaram.

Histórico da estrada de ferro

A Estrada de Ferro Campos do Jordão tem a mais alta cota ferroviária do país (1.743 metros acima do nível do mar) e foi idealizada pelos médicos sanitaristas do início do século passado, drs. Emilio Ribas e Victor Godinho, visando proporcionar ao seus pacientes um acesso mais rápido e confortável a Campos do Jordão, então considerado o local ideal para as pessoas tratarem-se da tuberculose.

Apesar dos grandes obstáculos que representavam para a técnica ferroviária da época os contrafortes da serra da Mantiqueira, a ferrovia foi construída em menos de um ano. A frota da EFCJ era constituída de 2 locos a vapor, 8 automóveis adaptados, três carros para bagagens, um vagão coberto para carga, cinco vagões abertos para carga, um vagão e vinte troleys de linha. A partir de 1.924 toda a estrada foi eletrificada pela English Electric, companhia inglesa.

Até meados dos anos 60, apesar de a estrada de ferro ser muito interessante, a região ainda não possuía a vocação turística que hoje tem e não havia como sobreviver apenas transportando as frutas, verduras e legumes. Em 1915, a estrada foi encampada pelo governo do Estado, e atualmente está vinculada à secretaria de Esportes e Turismo, tendo a missão de desenvolver o turismo local através da Estrada de Ferro.

Dados técnicos

A EFCJ opera no sistema de simples aderência roda-trilho nos trechos de serra, mantendo uma velocidade média de 32 km em nível e cerca de 16 Km/h nos trechos de serra, sendo eletrificada nos seus 47 Km. A rampa máxima da serra é de 11%, o que é considerado muito elevado, levando em conta que as ferrovias comerciais possuem rampas de no máximo 3,5 a 4,0% para simples aderência.

Para se ter uma idéia, entre as estações de Piracuama e Parada Cacique, que é o ponto ferroviário mais alto do Brasil, a distância é de 16 km e a diferença de nível entre os dois pontos é de 1.339 m, vencida por simples aderência. No seu percurso, existem diversas atrações, como o Balneário das Águas Claras, em homenagem a Monteiro Lobato, Mirantes e diversas estações onde o viajante poderá admirar belas paisagens e adquirir produtos do artesanato local.

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