28/mai/09
Imagine uma tinta que reage à luz e a temperatura, contribuindo para equilibrar as condições de calor e de iluminação de um ambiente, ou uma tinta automotiva que, no caso de um veículo riscado, permite uma alta cura da tinta, ou seja, uma correção automática do problema. Assim deverão ser as tintas do futuro e o maior responsável por isso será o emprego da nanotecnologia na indústria de tintas.
O tema tintas do futuro será debatido com mais profundidade durante o 11º Congresso Internacional de Tintas, o Abrafati 2009, a ser promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, de 23 a 25 de setembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Alguns dos avanços tecnológicos que se tornaram possíveis pela nanotecnologia já podem ser observados na fabricação de tintas. Sua aplicação já vem sendo reportada em revestimentos sobre chapas de polietileno, stains aquosos baseados em óxido de zinco, revestimentos de refletores de tráfego em estradas, tintas poliuretânicas para interior automotivo, primers para carpetes de madeira (tintas acrílicas de cura UV) e outros.
A nanotecnologia é uma engenharia que trabalha numa escala molecular com objetos de tamanho reduzido (nanomateriais), cerca de 80 mil vezes menores do que a espessura de um cabelo humano.
Um dos segmentos em que a aplicação da nanotecnologia tem grande potencial é na pintura automotiva. Além de possibilitar a diminuição do volume de tintas utilizado, com vantagens para o meio ambiente, a tecnologia poderá proporcionar melhor aparência dos veículos e benefícios como maior resistência a riscos. Da mesma forma, estão em andamento diversas pesquisas para a aplicação da nanotecnologia em tintas anticorrosivas.
A nova tinta com nanotecnologia poderá ser utilizada em qualquer superfície, mas principalmente nas paredes e no teto dos hospitais. Estudos científicos apontam que determinadas formas de nanopartículas de dióxido de titânio podem matar bactérias e eliminar a sujeira das superfícies quando elas são submetidas à luz ultravioleta.
O dióxido de titânio já é utilizado industrialmente em tintas, como branqueador. Mas as tintas comuns possuem outros componentes que neutralizam seu efeito bactericida. A presença de carbonato de cálcio, por exemplo, diminui a capacidade de matar as bactérias em 80%.
Os chamados superbugs - superbactérias resistentes aos antibióticos e sistemas de esterilização atuais - estão se tornando uma preocupação mundial não apenas em hospitais, mas também na indústria alimentícia e farmacêutica. O novo tipo de tinta com nanotecnologia poderá ser uma arma eficiente e barata na luta contra esse inimigo invisível, mas letal.
Abrafati 2009
As tintas do futuro fazem parte de um grande número das palestras a serem apresentadas no Congresso Internacional de Tintas - Abrafati 2009. De acordo com o presidente executivo da Abrafati, Dílson Ferreira, outras palestras focaram pesquisas e desenvolvimentos recentes relacionados à sustentabilidade e as exigências futuras relacionadas às tintas.
“Naturalmente, os aspectos ambientais estarão em destaque, em função da crescente relevância do tema para a sociedade e para o futuro do planeta”, disse Dílson Ferreira, acrescentado que temas como redução ou eliminação de VOCs (compostos orgânicos voláteis), menor uso de energia e água na produção, matérias-primas renováveis e gestão de resíduos farão parte da programação.
Juntamente com o congresso será realizada a 11ª Exposição Internacional de Fornecedores de Tintas que, segundo os organizadores, deverá reunir as mais importantes inovações e soluções mais avançadas relacionadas às matérias-primas, aos processos de produção e de aplicação de tintas e ao seu impacto ambiental.
|