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Notícias

Cores valorizam o centro
das grandes metrópoles

27/set/02

Por Luiza Marcondes

Quando você pensa no centro das grandes metrópoles, qual é a primeira imagem que vem à cabeça? Certamente é um lugar cheio de prédios que encobrem qualquer vestígio de verde que ainda resta. A situação do centro velho da capital de São Paulo não é muito diferente. Muitas construções antigas estão deterioradas e as poucas árvores estão ameaçadas de extinção.

O uso das tintas nas fachadas dos prédios é uma forma de valorizar os edifícios do centro e melhorar a qualidade de vida das pessoas que circulam diariamente pela região. Aliado às tonalidades dos prédios, o verde das plantas transmite a esperança de dias melhores e cidade menos poluída.

Para tentar recuperar o aspecto do centro e valorizar a região, nasceu a organização não governamental Viva o Centro. A entidade já existe há dez anos e ao longo de sua existência segmentou-se em outras ONGs menores, responsáveis por determinadas ruas da capital. Uma delas é a Ação Local Ladeira da Memória, engajada nos problemas do quadrilátero que cercam a Ladeira da Memória, próxima à Praça Ramos.

As ações têm por objetivo recuperar a sua área e incentivar a participação de mais moradores, profissionais liberais, arquitetos e comerciantes na revitalização das ruas. No último 21 de setembro, dia da árvore, foi realizado um debate entre o vereador Nabil Bonduki, o ambientalista João Paulo Capobianco e os participantes da Ação Local para discutir formas de resgatar a imagem do centro. Segundo o vereador, mais de 200 mil pessoas abandonaram suas residências na região da Praça da Sé, marco zero da cidade, para migrarem para áreas menos urbanizadas de São Paulo.

E a razão para a mudança é a falta de conservação e o aspecto pouco saudável. A aparência dos grandes centros é opaca. Falta cor, falta qualidade de vida no centro. Mesmo o verde das plantas está sumindo. O especialista em meio ambiente João Paulo Capobianco comentou que o verde está desaparecendo. "O desmatamento cresce nas florestas e as plantas são quase inexistentes nas metrópoles".

O alerta serviu para chamar a atenção para um grande problema do centro. As cidades estão totalmente sem cor. Segundo a arquiteta Luciana Munhoz, integrante da Ação Local, a revitalização começaria com o aumento das áreas verdes. "As árvores estão morrendo", afirma Luciana.

Com mais plantas, o centro ganha aspecto saudável e tranqüilo. É uma forma das pessoas voltarem a circular pela cidade. Luciana diz que todos os passeios turísticos que passam pelo centro velho de São Paulo não incluem em seu trajeto uma parada na Ladeira de Memória, que reserva parte da história da capital. Lá está localizada uma das figueiras mais antigas de São Paulo. "É uma árvore centenária que está catalogada no livro oficial da prefeitura como patrimônio", comenta.

Para comemorar o dia da árvore, os moradores da região e integrantes da ONG fizeram um abraço simbólico na figueira. Junto com a preservação da árvore está a revitalização dos prédios daquela região.

Muitos prédios antigos perderam seu valor por estarem mal conservados. Com o uso adequado das cores é possível resgatar o visual de todos eles e dar mais vida ao centro. De acordo com Luciana, é preciso estudar o projeto arquitetônico de cada edifício para escolher a cor. "Prédios mais antigos precisam de uma cor diferente dos das construções recentes para destacar seus detalhes", diz a arquiteta. Para ela, a cidade ganharia mais vida com cores vivas, que chamam a atenção, quebram a monotonia e mudam o comportamento das pessoas. Luciana afirma que as cores podem interferir na emoção do ser humano. O cinza está ligado à depressão, enquanto o laranja transmite alegria e o verde, esperança. "A explosão de tonalidades na cidade chamaria a população de volta ao centro e incentivaria as excursões turísticas", afirma a arquiteta.

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