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As embalagens ecologicamente corretas

21/nov/00

O destino das latas de aço no setor de tintas e vernizes e em outros foi ignorado por décadas no Brasil. Agora, em pleno início do terceiro milênio, os fabricantes nacionais do setor parecem preocupar-se mais com o meio ambiente. Anualmente, das 750 mil toneladas de aço produzidas no Brasil, 40% já é reciclada. Diante dessa quantidade de produção, uma importante entidade surge no setor: a Prolata (Programa de Valorização e Incentivo ao Consumo de Embalagem Metálica). Criada pelo Sindicato da Indústria de Estamparia de Metais do Estado de S. Paulo, é mantida por 22 empresas, entre elas a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), a Brasilata e a Gerdau. Foi fundada em 1992 e tem os objetivos de promover o consumo da embalagem de aço por meio da qualidade e desenvolver as metas de participação das empresas. "A Prolata foi criada pelos fabricantes por causa da responsabilidade social, para estimular a consciência da população e preservar a natureza", diz Roberto Pinto, Coordenador de Marketing da entidade.

Aço - reciclável e ecológicoEntre os comitês da Prolata, está o de Reciclagem, que organiza programas comunitários de coleta de lata de sucata em todo o País. "A importância da reciclagem se insere na questão do consumo responsável e na melhoria da qualidade de vida", diz Pinto. Segundo informações da entidade, a lata de aço é a embalagem mais reaproveitada e reutilizada pelo consumidor, além de ser infinitamente reciclada. De acordo com a Prolata, a cada 75 latas, é salva uma árvore que se transformaria em carvão vegetal. Cem latas refundidas economizam o equivalente a uma lâmpada de 60 watts acesa durante 1 hora.

Personagem Tata ProlataSegundo Pinto, o papel das empresas é financiar programas e participar das decisões da Prolata. Nos EUA, o material reciclado já atinge 50% do total produzido, devido ao maior tempo de "consciência ambiental" no país. "A meta da Prolata é atingir os 100% de material reciclado. A questão econômica tem sido um obstáculo", afirma Pinto. Para se ter uma idéia do alto custo da reciclagem da lata de aço, um quilo de latas de alumínio tem o custo de R$ 7, enquanto uma tonelada de latas de aço vale apenas R$ 25, segundo Pinto.

Na opinião de Carlos Viterbo Júnior, Gerente de Marketing da Brasilata, o Brasil também atingirá o mesmo patamar de cultura dos países desenvolvidos, onde as empresas são responsáveis pelo lixo que produzem. "Já existe a fiscalização nas indústrias, mas as leis deveriam ser mais severas com relação ao destino do produto", comenta Viterbo. "A embalagem de aço é a que menos agride ao meio ambiente, devido ao óxido de ferro, bastante degradável pela natureza", complementa.

A reciclagem é a solução mais acessível para o problema do lixo urbano. Uma das saídas para superar o obstáculo do alto custo do material é a doação voluntária de materiais recicláveis aos sofisticados incineradores de recuperação energética. "Compramos a sucata e repassamos às usinas de reciclagem. Contribuímos com a coleta de 3 mil toneladas de aço ao mês", diz Silvia Mara, assistente administrativa da Comercial de Metais Palmares. "A reciclagem gera economia para os fabricantes e de matéria-prima, reaproveitamento de materiais e evita o acúmulo de lixo nas cidades, preservando o meio ambiente", complementa Mara.

Nos países desenvolvidos, empresas e comunidades têm desenvolvido discussões para reduzir o desperdício, priorizar o consumo de produtos e embalagens recicláveis e estimular o retorno dos resíduos ao ciclo de produção.

No Brasil, as administrações dos municípios de Curitiba, Porto Alegre, Santos e São José dos Campos desenvolvem programas de coleta seletiva e reciclagem. Graças à consciência das populações dessas cidades e de suas lideranças, é dado um importante passo para pôr fim aos perigosos lixões.

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