18/dez/00
O
conceito de revenda em geral, e de tintas em particular, vem
mudando nos últimos anos a favor da estética, do conforto e do
bom atendimento. A variedade de produtos tem melhorado e os
grandes estoques de linhas limitadas vão desaparecendo aos poucos
do mercado. As lojas do século XXI deverão manter o balcão no
fundo do estabelecimento, diferentemente dos supermercados, que
tem o balcão na frente e pode inibir o acesso do cliente. Com o
auto-serviço, o cliente faz as compras e enche a sacola ao se
dirigir ao balcão. O antigo balconista passou a ser qualificado
pelas empresas para exercer a função de atendimento ao público,
informando os clientes sobre os produtos e as suas aplicações. O
ambiente de uma loja moderna agora é aconchegante e limpo. A
aparência deve ser melhorada com flores e plantas, atraindo
também as mulheres para as compras. O ambiente desordenado, sem
higiene e com pôsteres de mulheres nuas nas paredes,
definitivamente não combina com o que os clientes esperam de uma
loja avançada.
A
reportagem do portal MundoCor ouviu representantes de algumas
revendas de tintas para obter informações sobre suas políticas
visando o desenvolvimento da atividade comercial. A Casa São
Paulo e o Portal das Tintas, em São Paulo(SP), a Lacor Tintas, de
Porto Alegre (RS) e o Mar das Tintas, do Rio de Janeiro (RJ), são
exemplos de lojas que buscam aprimorar o atendimento ao cliente e
o conforto dos estabelecimentos. Segundo os revendedores, a
inovação é necessária e fundamental em tempos de monopólios
das grandes redes de casas de construção (home centers).
"Aqui no Morumbi, concorremos com a Conibra e o Uemura",
diz Márcio Mathias Ruscitto, diretor comercial do Portal das
Tintas. Segundo ele, nas grandes casas de construção faltam
funcionários para atender bem aos clientes e isso é o que faz a
diferença em lojas como a sua.
O
atendimento eficiente e a variedade de produtos são as grandes
armas dos pequenos e médios revendedores para concorrer com as
grandes redes de construção. Segundo os revendedores, os
clientes do novo século cobrarão cada vez mais das empresas
maior excelência nos serviços. O contato humano é o maior
diferencial entre a loja ultrapassada, que não trata bem o
público, e a loja moderna, que busca incessantemente o
aprimoramento do atendimento. Os clientes querem uma recepção
personalizada, afirma Ruscitto. De acordo com ele, quando o
cliente demonstra pressa e rapidez na compra, o atendimento no
balcão basta, oferecendo as opções de produtos e as suas cores,
mas quando está indeciso ou aberto a discussões e orientações
sobre cada produto, o mais recomendável é convidá-lo para
sentar e conversar, fazendo com que ele se sinta em casa.
Grande
parte dos revendedores ainda ignora o conceito do novo balcão. A
matriz da Casa São Paulo, na região norte de São Paulo, mantém
o conceito da localização do balcão na frente da loja, com 12
balconistas treinados para o atendimento ao cliente. Cada pessoa
recebe uma senha e, em seguida, é chamada para ser atendida.
"Preferimos o sistema de atendimento somente no balcão,
porque elimina o auto-atendimento por parte dos clientes",
explica Paula Cristina, assistente de Marketing. "Levamos os
produtos até os clientes, proporcionando mais comodidade e
possibilidade de estoque de mais produtos na loja", afirma
ela. As cores das tintas e os catálogos de sistemas
tintométricos são escolhidos pelo cliente enquanto ele está em
pé, sem o conforto do atendimento personalizado. Mas por outro
lado, segundo Cristina, os balconistas da Casa São Paulo são
qualificados por meio de cursos nas indústrias sobre aplicação
e rendimento dos produtos.
A
loja Lacor, de Porto Alegre, implementa o conceito de balcão na
área frontal do estabelecimento, mas permite que o cliente entre
na área de armazenamento dos produtos para a visualização e a
escolha. Segundo Mabel Barbosa Damian, diretora da Lacor, o
sistema de balcão frontal oferece ao cliente duas opções: que
entre na seção de produtos e passeie pela loja ou que pare no
balcão e solicite a opção desejada, sem a necessidade de
localizar o produto. Existem clientes sem tempo para olhar, que
preferem escolher o melhor produto. "Nossos atendentes
conversam com eles, emitem opiniões, mostram catálogos de cores
e revistas de decoração, para incentivar e facilitar a
escolha", diz Mabel. "Nosso conceito é o atendimento
cada dia melhor para os nossos clientes", conclui.
Para
os clientes da Lacor, as tonalidades de cores mais suaves, como o
azul claro, amarelo e creme são as preferidas para as áreas
internas de residências e escritórios. Para a externa, segundo
Mabel, o público prefere as cores berrantes, como verde e
laranja. A moda de variar as cores nos ambientes de uma mesma
residência - pintar o quarto de azul e a sala de estar de
amarelo, por exemplo, está disseminada. Ela observa que os
consumidores têm optado por aplicar diversas cores na casa,
deixando para o passado a idéia de que a cor branca deve ser
usada predominantemente em todos os espaços.
No
Mar das Tintas, loja do Rio de Janeiro, o conceito de balcão
assemelha-se à Casa São Paulo. O atendimento no balcão evoluiu
e a informatização racionalizou os estoques e o controle de
variedade de produtos. O visual e a limpeza da loja também
desenvolveram-se com o tempo, atraindo as mulheres para as
compras. Segundo Célio Silva, assistente de expedição, as
mulheres preferem ir pessoalmente à loja de tintas principalmente
porque acreditam ter melhor senso de cores que os maridos. De
acordo com Silva, cores suaves como branco, gelo, marfim e areia
são as preferidas pelos cariocas que compram em sua loja.
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