09/abr/01
A
predominância das cores claras e dos tons pastéis sobre as cores
vivas nos produtos das indústrias
de cerâmica e louças sanitárias continua sendo uma tendência
do mercado. Isso é o que ficou demonstrado na Feicon 2001 - Feira
Internacional da Indústria da Construção, realizada em São
Paulo, entre os dias 3 e 7 de abril.
Nas
novas linhas lançadas pelos fabricantes, as claras e os tons pastéis
eram dominantes. O estande da Deca, fabricante de louças e metais
sanitários, apresentava louças sanitárias somente na cor
branca. "O branco valoriza o design", diz Edison Anholon,
gerente de desenvolvimento de produtos em louças sanitárias da
Deca. Para ele,
essa cor, por dificilmente esconder as imperfeições, demonstra
melhor a qualidade do produto. Marco Milleo, gerente de
desenvolvimento de produtos em metais da Deca, acredita que a
questão da cor também é ligada a um regionalismo no Brasil.
Segundo ele, é mais comum o uso de cores fortes nos sanitários
de cidades do interior do País, enquanto que nas grandes capitais
o uso de branco prevalece. As cores claras estariam fortemente
ligadas ao aspecto higiênico, mais prezado nas metrópoles como São
Paulo e Rio de Janeiro. A Deca dispõe de uma variedade de 13
cores para suas louças mas, segundo Anholon, 70% de suas vendas são
nas cores branca, cinza e creme, sendo que desses 70%, 80% são
correspondentes ao branco.
A
cor original da cerâmica, composta basicamente por quartzo,
feldspato e argila, é marrom. Depois de ser fundida para que
possa ser moldada, a cerâmica ganha uma cor acinzentada, que não
se altera mesmo após o recebimento dos esmaltes minerais que darão
a cor. Somente após ser queimada a 1250ºC, a cerâmica recebe as
propriedades de cor e impermeabilização. Como os esmaltes são
incolores, recebem a adição de corantes para diferenciá-los, de
correspondência determinada pela fábrica. O esmalte que dará a
cor branca após a queima, por exemplo, é verde.
O
processo de coloração usado pela Cecrisa, fabricante de revestimentos cerâmicos, depende do
tipo de cerâmica a ser colorido. Há três tipos de cerâmica: a
estrudada, mais simples e que não é fabricada pela Cecrisa; a
prensada e o porcelanato. A cerâmica prensada é esmaltada e
depois queimada, num processo denominado monoqueima, trazido para
o Brasil pela Cecrisa. O esmalte usado é composto por pigmentos
óxidos e portanto a cor não desbota. A cerâmica é
posteriormente decorada por serigrafia. No caso do porcelanato, o
pigmento pode ser misturado com a massa ou, como é feito com a
prensada, pode ser aplicado como um esmalte.
Nas
novas linhas de cerâmica da Cecrisa predominam as cores terrosas
e pastéis, mas a variedade de cores disponíveis é muito grande.
"Como indústria nós temos que oferecer todas as opções",
diz Fabíola Grazziotin Cagliari, gerente de marketing da Cecrisa.
Segundo ela, como acontece com os objetos de decoração, "a
moda está vindo para a cerâmica", portanto os produtos são
desenvolvidos seguindo as tendências mais recentes. Apesar disso,
o consumo das cores branca, bege e cinza é de 98%. As cores
empregadas nas novas linhas são desenvolvidas aproximadamente
dois anos antes de seu lançamento. "Tem todo um estudo por
trás", diz Fabíola. Nas linhas mais específicas, os
pigmentos são importados da Itália e principalmente da Espanha.
Cor
branca na cozinha e nos banheiros
A
variedade de cores em cerâmica para azulejos e louças sanitárias
é enorme, mas há quem ache que só devem ser usadas as cores
claras. "Louça é branca", diz o arquiteto Vicente
Giffoni Filho. Segundo ele, o principal motivo é que "cozinha
e banheiro devem ser assépticos".
Vicente
acredita que o segredo para criar um ambiente agradável "está
na harmonia" e, para criá-la, a solução é o uso de cores
complementares. Segundo ele, há uma "tendência a voltar às
cores da natureza", como uma tentativa do homem de entrar em
contato com ela, apesar de viver no meio urbano. Por isso,
estariam em alta cores terrosas e verdes de diferentes tons.
Para
o arquiteto, na decoração de uma casa, "elementos da sua
cultura devem estar presentes para ter a ver com a alma de quem
está ali". Na opinião dele, devem ser empregados elementos
contemporâneos, mas não de moda. A diferença é que a última
é fugaz, o que deixaria uma casa, feita para durar por um período
indeterminado, ultrapassada em pouco tempo.
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