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Mercado
brasileiro de tintas, uma evolução colorida, mas nem tanto |
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17/nov/05 * Por Sandro Deretti
As empresas do mercado de tintas, considerando os diversos segmentos (imobiliárias, automotivas, artísticas e de impressão) também têm conseguido ampliar suas redes de negócios no exterior. O Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo – SITIVESP – e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tinta – ABRAFATI – vêm divulgando os números desse setor que apontam para o crescimento de cerca de 30% nas exportações em 2004, atingindo um faturamento superior a U$ 93 milhões e um volume próximo a 48 mil toneladas. Porém, nem tudo é “azul” nessas informações. Apesar do Brasil ser o 4º maior produtor de tintas do mundo e possuir os principais insumos necessários à produção dos diversos tipos de tintas, nossas importações ainda superam o valor das exportações nesse setor. Em 2004, importamos U$ 137 milhões (cerca de 35 mil toneladas), valor este quase 20% superior em relação ao ano de 2003. Com uma produção de cerca de 1,2 bilhões de litros no ano de 2004, as indústrias do setor de tintas ainda estão muito comedidas em seus investimentos. Isso se deve ao fato de que suas capacidades instaladas estão operando de forma ociosa, pois o volume de consumo no mercado interno é muito irregular, alternando períodos de aumento e de diminuição, o que também representa incertezas no faturamento. Em anos anteriores, como por exemplo, 1997 e 2000, o faturamento com essa atividade foi de U$ 2,11 bilhões e U$ 1,82 bilhões respectivamente, valores estes superiores aos U$ 1,75 bilhões conseguidos em 2004, que representa atualmente cerca de 0,29% do PIB brasileiro. Além disso, devido à sensibilidade de todo o mercado em relação à política econômica adotada pelo governo, há um certo desencorajamento por parte das indústrias a investirem em insumos e em estoques de produtos acabados para atender uma demanda incerta. Para se ter uma idéia, a construção civil é responsável por 65% do consumo total de tintas do nosso país. No entanto, o governo vem aumentando sistematicamente a taxa básica de juros para desacelerar a economia e conter a inflação, inibindo instantaneamente os investimentos na construção civil que já vem perdendo o fôlego há muito tempo, mas que ainda consegue crescer um pouco, cerca de 3,8% em relação a 2003. Para deixar os empresários do setor de tintas ainda mais “vermelhos” de raiva, acabamos pagando um valor maior para importar do que conseguimos com nossas exportações. O preço médio conseguido por quilo de produto acabado e exportado não ultrapassa o valor de U$ 2,00, enquanto que, para adquirir tintas junto a outros países, pagamos cerca de U$ 3,90 o quilo. É claro que nos submetemos a pagar essa nota “preta” pela tinta importada apenas para atender uma demanda inesperada e urgente, pois em qualidade competimos de igual para igual com as melhores do mundo. Nossa indústria automotiva, por exemplo, vem utilizando tinta à base de água já há alguns anos, enquanto que outros países somente agora estão implantando essa tecnologia. De um modo geral, os dirigentes do setor de tinta acreditam que ainda não temos uma estratégia de inserção internacional, onde o governo deveria proporcionar um ambiente econômico, jurídico e logístico que permita a formação de competências no setor privado para facilitar o esforço do exportador brasileiro. No ambiente interno, o exportador brasileiro, apesar das linhas de financiamento à exportação com taxas de juros um pouco menores, ainda convive com uma cadeia produtiva onerada por altas taxas de juros e impostos municipais, estaduais e federais. Finalmente, o chamado “Custo Brasil” também onera nossos preços de exportação com a ineficiência da cadeia logística, seja pela equivocada estrutura dos modais de transportes, priorizando o modal rodoviário, que é mais caro, em detrimento do modal aquaviário e o transporte ferroviário. Enfim, todas essas mazelas políticas, econômicas, tributárias e logísticas acabam por onerar os custos de produção de tintas, reduzindo seu consumo interno – ou obrigando o consumidor a adquirir produtos de baixa qualidade e, até mesmo, incentivando o surgimento de empresas sonegadoras de impostos para que possam brigar melhor no mercado de extrema concorrência – e desabilitando nossas empresas de conseguirem uma melhor inserção internacional, não pela qualidade, mas pela fama de “careiros”. * Sandro Deretti é formado em administração pela UFPR e pós-graduando em Marketing Empresarial pela UFPR - email: sandroderetti@ig.com.br |