18/out/01
Um
trabalha com uma pistola francesa de baixa pressão. O outro tem
como principais ferramentas o rolo, o pincel e a tinta. Ambos
procuram ficar atentos às tonalidades, manter a boa aparência e,
acima de tudo, respeitar e admirar a cor, razão única da existência
e do valor da profissão.
Pintores
como Rivaldo José de Almeida, veterano “cabineiro” de automóveis,
e Antônio Cardoso Barros, profissional da construção civil,
podem comemorar uma data muito especial, em homenagem ao empenho,
amor e dedicação que ambos dedicam ao próprio trabalho – 18
de outubro, Dia do Pintor.
Almeida,
24 anos, já reparava e pintava automóveis aos 10 de idade. Hoje
é colorista da concessionária GM Nova 3, em Santo Amaro, zona
Sul de São Paulo. A experiência lhe confere a responsabilidade
de treinar e atualizar os conhecimentos dos funcionários da área
produtiva, além de acertar as tonalidades das tintas, misturando
com exatidão seus pigmentos. “Nasci dentro da oficina, minha
família e eu sempre trabalhamos no ramo”, declara. “O meu
trabalho é muito prazeiroso. A informática oferece suporte
melhor que há anos atrás”, justifica.
O
trabalho de Almeida e outros funcionários da concessionária é
feito em uma moderna cabine. Após passar por vistoria, avaliação
da avariação, lixamento, preparação do primer (massa),
acabamento final e empapelamento, o automóvel ou a peça é
finalmente pintada pelo cabineiro – jargão para o pintor da área.
“Aplicamos de uma a três camadas de tinta, verniz e, depois
disso, o carro é enviado para o forno de secagem”, explica.
Segundo
Almeida, o uniforme do “pintor automobilístico” deve estar
sempre limpo e o uso da máscara facial e das luvas de latex são
essenciais para a eficiência e proteção do funcionário. “No
momento da pulverização, o thinner se desprende da tinta e pode
prejudicar olhos e cabelos”, diz.
Na
colorimetria, a mistura de pigmentos é feita com o auxílio do
computador. “Uma nova tinta à base de água vai revolucionar o
mercado nacional”, antecipa. Estudante de engenharia mecânica,
desenvolve projetos de equipamentos para o setor. “O Brasil tem
o mal de dar muito valor aos produtos do exterior. O
desenvolvimento da tecnologia nacional é importante”.
Cardoso
Barros, 30 anos, pintor de casas e edifícios, é funcionário da
Rossi Residencial (Plano 100). Nascido no Piauí, mudou-se para São
Paulo ainda jovem, aos 17 anos. Começou como servente de obras
aos 22 de idade. “Meu grande teste para ser admitido na empresa
foi pintar a grade de uma sacada”, afirma.
Demonstrando
felicidade e satisfação, Barros não disfarçou o amor por seu
trabalho. “Pintor é a melhor profissão do mundo”, diz. O
conjunto de ferramentas de Barros, diferente de Almeida, é
formado por rolo, pincel, espátula, lixa e desempenadeira. A
tinta e as cores fazem parte da rotina de ambos os profissionais.
Eles são responsáveis por pintar dois apartamentos e oito automóveis
ao dia, respectivamente. “A pintura e a beleza das cores são
importantes”, diz Barros. “Quando os proprietários afirmam
que a aparência das fachadas e paredes ficaram boas, sinto
satisfação e orgulho demais”, confessa o orgulhoso pintor.
A
data 18 de outubro foi escolhida por ser o dia do padroeiro dos
pintores, São Lucas. Ganhou notoriedade, assim como Leonardo da
Vinci, fazendo retratos de Jesus Cristo e da Virgem Maria.
Habilidoso em preparar tintas, tinha em seu espírito virtudes típicas
de um bom pintor – a simplicidade, a humildade e o amor à
profissão.
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