13/abr/11
* Por Marcia Lazzarin
A palavra sustentabilidade incorporou-se ao nosso cotidiano de forma súbita e urgente. Foi necessário que o planeta desse todos os sinais de fadiga e falência para que atentássemos para o óbvio, fundamental, essencial e primordial: de nada adianta todo e qualquer esforço de sobrevivência digna se o planeta não estiver em boas condições de saúde, já que são os nossos hábitos os responsáveis por estas condições de saúde.
Aplicada à decoração, a sustentabilidade refere-se à escolha de produtos e sistemas que não coloquem em risco a integridade física do planeta, ou seja, móveis feitos com madeiras certificadas (cujos produtores se comprometem a replantar tudo o que for extraído), produtos reciclados e sistemas elétricos e mecânicos que visem eficiência energética (aproveitamento racional da água e da energia elétrica), entre outras possibilidades e ações que surgem a cada dia dentro do princípio de preservação da natureza para a sobrevivência do homem.
A decoração no Brasil ainda não está comprometida o bastante com a sustentabilidade, até porque estes produtos custam muito mais caro, visto que devem obedecer a padrões rígidos de produção, que necessitam de know how e estrutura específicos.
Uma coisa certa: é papel do arquiteto de interiores e designer, é fundamental estar atento a escolhas de produtos, indústrias responsáveis e que tenham esse olhar cuidadoso. O mercado de decoração tem se comprometido com esta causa que pode ser também uma excelente opção estética.
As referências à natureza também estão incorporadas ao morar contemporâneo, numa espécie de outro tipo de resgate, desta vez da própria natureza, que se distancia cada vez mais das cidades. A diferença é que hoje a indústria, por conta do seu forçoso compromisso com a sustentabilidade, precisa reproduzir as cores e texturas da natureza na sua matéria-prima sintética, já que a fonte natural se esgota a cada dia, e o cerco se fecha para a degradação do bem natural. É a tecnologia "a favor" da sustentabilidade.
Surge assim, como tendência, os pisos laminados, as tintas, revestimentos em madeira de móveis planejados, imitando com precisão a textura e padrão de diversos tipos de madeira, minerais, os couros e as fibras sintéticas, numa tentativa de aproximar a natureza dos moradores da casa contemporânea.
As cores
Em termos de cores, as tendências para 2011 apontam para os cinzas claros e frescos, castanhos aconchegantes que buscam inspiração no chocolate, vermelhos vivos, fúcsias, púrpuras e uma variação de tons de azuis. O preto e branco de design moderno e elegante são bem prováveis para a aplicação do projeto de cozinha em qualquer design de interiores, um exemplo contemporâneo de luxo que se tornara um clássico.
Além do vegetal e do animal, o mineral tem grande força nesta nova tendência que empresta suas cores e brilhos para os novos matizes que colorem os objetos e a casa. Surgem tons sóbrios como o concreto e o cobre como base que abrem espaço para tons minerais como o cytrino, a ametista violácea e o azul petróleo. Estas últimas cores aparecem ora misturadas entre si, ora compondo com a pedra, o cobre ou o branco. Como o tema gira em torno da natureza, mas de uma forma extremamente atual, representações de madeiras com muitos veios se tornam importantes. Desta forma, o acabamento em madeirados virá com veios mais desenhados, o carvalho ganhará mais força e aparecerá uma nova lâmina com tons amendoados.
* Marcia Lazzarin é arquiteta e designer de interiores - marcia.lazzarin@gmail.com
Apoio: Criare Penha – Móveis Planejados - www.criare.com
Ecopiso decorações - Revestimento de piso e parede - www.ecopisodecoracoes.com.br.
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