28/nov/06
Por Harlley Alves
Considere a seguinte situação: é hora de pintar a casa, o cliente confere as várias linhas de produtos, decide-se por uma e aí tudo fica complicado quando o lojista pergunta: ‘Vai levar em qual cor?’
A cena vivida um sem-número de vezes por consumidores e colaboradores das revendas mostra que, embora muitos acreditem em seu talento natural para apreciar as cores, a maioria passa por um verdadeiro dilema quando o assunto é transpô-las para as residências.
É então que o consumidor - que na maioria dos casos é o próprio decorador nas horas vagas - vê-se diante do desafio de mesclar as informações de seu gosto pessoal com uma infinidade de cores disponíveis através dos sistemas tintométricos.
A decoradora e consultora de cores de uma loja de tintas, Sandra Regina, comenta que fica evidente no ato da compra a dificuldade dos clientes em se decidirem por uma cor. “Essa indecisão supera a do medo de errar quanto ao produto e marca procurados”, disse. O principal receio é de o resultado final não ser satisfatório, da pintura não combinar com nada na casa, acabando com o retrabalho de pintar tudo outra vez. “Somado ao medo de aumentar os gastos, para não errar, acabam optando pelo branco e bege tradicionais”, disse Sandra.
A boa notícia é que, para não errar, os profissionais do ramo utilizam técnicas que proporcionam a harmonia cromática dos ambientes e muitas delas podem ser utilizadas pelo consumidor. Isso foi observado na palestra “Técnicas para a escolha de cores de ambientes internos”, tema trazido pelo ciclo de eventos organizado pelo MundoCor, dia 23 de novembro, em São Paulo-SP.
Sob a orientação da arquiteta Márcia Lazzarin, professora de técnicas de pintura e decoração da escola Senai de Construção Civil e autora de vários manuais de pintura, o novo módulo ofereceu sugestões práticas para quem ainda se sente confuso na hora de escalar as cores de uma residência.
Já na introdução, Márcia pontua que escolher uma cor faz parte de um estado de espírito, reflete como a pessoa está naquele momento ou a vontade de ficar em alguma condição.
“As cores estimulam determinadas reações. São estudos provenientes da psicologia e propaganda que os arquitetos usam no dia a dia. Essas descobertas mostram que a glândula pineal, localizada no cérebro, capta as seqüências de onda de cada cor e as interpreta com estímulos que são os mesmos para a grande maioria das pessoas”, explica Márcia. “Daí as sensações que as cores provocam, como a impressão de aumento da fome com a cor laranja e a diminuição do apetite com a azul”, disse.
Como combinar o quê com o quê
A professora Márcia lembra que a escolha da cor envolve aspectos como o perfil do cliente, função do local, piso, a quantidade de luz que chega ao ambiente e o conjunto que irá formar com os móveis e demais itens que complementam a decoração. Ela sugere que, antes de dispor a cor nas paredes, seja feito um teste pintando uma pequena placa com a cor desejada para observar seu impacto no ambiente e as variações da cor final conforme a luz, aberturas (luminosidade causada pelas portas e janelas) e com o anoitecer.
Márcia sugere duas formas e uma ferramenta para unir diferentes cores em um mesmo espaço: o uso de cores análogas, das complementares e do círculo cromático universal. Conforme ela disse, as cores complementares são um pouco mais difíceis de combinar, por terem um contraste muito forte. Já com as análogas é mais fácil de trabalhar, tendo o cuidado para não deixar o local monótono.
Para isso, basta observar como a cor desejada se comporta no círculo cromático, comparando-as com as demais tonalidades. As cores análogas são as chamadas cores vizinhas e dão uma impressão de uniformidade. Por exemplo: bege e marrom, azul claro com azul escuro; vermelho com rosa, amarelo com laranja etc.
São assim chamadas por possuírem uma mesma cor básica. No círculo das cores, estão próximas umas das outras, tanto acima, quanto abaixo, para direita ou para esquerda, tendo escolhido a cor de referência. Utilizando a cor laranja, são análogas todas as nuances de laranja (do mais claro, para o mais escuro, olhando o círculo de baixo para cima) e o amarelo e vermelho, as cores vizinhas na esquerda e direita, que tingem o laranja com suas variedades.
Complementares são cores em posições opostas no círculo cromático. “Elas destacam uma cor, oferecendo grande contraste”, observa Márcia. São amostras de complementares amarelo com azul, verde e vermelho, roxo e limão, preto e branco.
Outras sugestões de Márcia Lazzarin
Pisos
Sejam amadeirados, de tecido ou frios.
Se estiverem em cores claras, permitem maior liberdade com o que vai acima, podendo as paredes e demais elementos do espaço serem tanto claros, quanto escuros.
Quando em tons escuros, pedem cores mais claras para o que vem acima deles.
Tetos
Com o pé direito alto – acima de 2m80 -, o teto pode ser mais escuro que as paredes. Em ambientes baixos, com menos de 2m60, é mais adequado que o teto seja mais claro que as paredes.
Impacto das cores no ambiente
Cor |
Suave |
Média |
Intensa |
Azul |
Proporciona a calma |
Estimula o sono |
Indica-nos respeito |
Verde |
Aconchego (um abraço) |
“desaparece” quando colocamos uma tonalidade na frente |
De rápido irritação, motivando a saída do local |
Amarelo |
Amplitude, sensação de ensolarado, alegria |
Estimula a fala e a sede |
Sugere a descontração |
Laranja |
Aconchego, estando bem consigo mesmo |
Estimula a sede e fome |
Sugere a criatividade |
Lilás |
Proporciona calma / pensamento vai “longe |
Estimula a filosofia, o conhecimento |
Perfeito para meditar / pensar |
Marrom |
Pode ocasionar momentos de melancolia |
Sugere ao ser humano olhar para si mesmo |
Sentimento de perda / stress |
Preto ou branco |
Vontade de se calar |
Promove o silêncio nas pessoas |
Promove a inteligência |
Rosa |
Traz sentimentos fraternos |
A Cor predomina, “desaparecendo” o que se põe na frente |
De extrema irritação em grandes superfícies |
Vermelho |
Sugere o nascimento do sentimento |
Estimula o crescimento do sentimento |
Promove a ação do sentimento |
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