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Uma investigação do sentido da cor

* Carla Maria Arantes Fazenda

Carla FazendaResgatar a importância da cor como objeto fundamental para a concepção de qualquer projeto arquitetônico foi o principal foco de minha tese de doutorado, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, em agosto de 2001. A pesquisa resulta de uma busca teórica ao sentido da cor e da vivência artística, iniciada com a dissertação de mestrado, Cor de cor, defendida em 1994 na PUC SP. Nossa pretensão, num sentido mais amplo, foi a de realizar um resgate da importância da cor na vida do homem, da cidade e suas relações.

A cor é uma ferramenta de comunicação da arquitetura com o mundo em diversas escalas, do objeto de arte à cidade propriamente dita. A tese resultante dessa pesquisa compreende 4 capítulos: o primeiro, dedica-se ao sentido da cor na minha vivência pessoal, onde exponho a construção de três telas, o desenvolvimento de projetos cromáticos, a exposição Um Olhar sobre Paulo Freire e a elaboração da identidade visual do livro Eu, um quadrado. Essa cor em meio de tantas incertezas revela-nos uma verdade: é um fenômeno capaz de gerar infinitas sensações sobre humanos e não-humanos e em razão disso não cabe em gavetas de regras, códigos e outros limitadores.

O segundo, situa o sentido da cor no homem antigo e no atual. A questão da cor pode então ser assim examinada sob infinitos aspectos: o físico estuda a natureza das vibrações de energia eletromagnética e partículas envolvidas no fenômeno da luz, as muitas origens desse fenômeno como a dispersão prismática da luz branca e questões de pigmentação. Ele investiga misturas de luzes cromáticas, espectro dos elementos, frequências de comprimento de ondas de raios de luzes coloridos.

O químico estuda a estrutura molecular dos corantes e pigmentos, veículos e preparação de corantes sintéticos. A química da cor atual serve a um campo enorme de pesquisa e produção industrial. O fisiologista investiga os vários efeitos da cor em nosso aparato visual - olho e cérebro - suas relações anatômicas e funções.

O psicólogo interessa-se pelos problemas da influência da radiação das cores em nossas mentes e espíritos. O simbolismo da cor, a percepção subjetiva e a discriminação das cores são preocupações dele. O artista, finalmente, interessa-se pelos aspectos estéticos dos efeitos cromáticos e necessita de todas as informações anteriores para sua pesquisa, primordiais para a formação do arquiteto.

O terceiro capítulo, mais artístico, relaciona o sentido da cor à pintura, arquitetura e filosofia. Pintores, arquitetos, filósofos, cada qual com sua maneira particular de ver a cor e de expressá-la em suas obras, resumem no final o trabalho a busca da beleza para suas vidas e de um sentido para suas artes. O quarto aborda o encontro do sentido da cor nas ciências naturais como a química, física e fisiologia.

Era necessário, porém, um entendimento dos fundamentos desse homem artista, na busca de seus sentidos para a cor. Ampliei minha pesquisa na direção de aspectos culturais e históricos desse homem primitivo e primordial, obtendo interessantes correlações entre a busca do sentido da cor e a simbologia da cor, presentes na vida do homem chinês, hindu e medieval.

A cor manifestada no ser humano depende de características ambientais tais como fonte de luz incidente, distância do observador, características superficiais do objeto colorido, a química dos pigmentos e tinturas, seu brilho, além, é claro, de características fisiológicas do observador, como ele realiza esse mecanismo de perceber a cor em seus órgãos visuais e perceptivos.

Toda tese necessita de uma interrogação e aqui a interrogação situa-se na busca do sentido da cor e no movimento gerado por ela, que vai da experiência à educação da cor e vice-versa. É portanto fundamental a inclusão da cor no currículo escolar, a fim de formar indivíduos educados para as possibilidades reveladas pelo fenômeno cor.

* Carla Maria Arantes Fazenda é graduada pela Faculdade de Arquitetura e Urubanismo (FAU) da USP. Defendeu tese de mestrado na PUC-SP, em 1994; e de doutorado na FAU-USP, em agosto de 2001. O teor completo da tese de doutoramento pode ser visto no site da autora: www.geocities.com/carlafaz.

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