18/dez/08
A indústria brasileira de tintas e vernizes deverá ter um desempenho menos animador em 2009, como resultado da crise financeira que abalou as economias de todos os países. Depois de um expressivo crescimento médio de 8% em 2008, repetindo o resultado do ano anterior, a indústria de tintas poderá ter crescimento menor e, segundo muitos empresários, poderá ficar em torno de 4%.
Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas das palestras e debates do 3º Fórum Abrafati, realizado dia 25/11, em São Paulo, que discutiu caminhos e tendências para a indústria de tintas. No evento, promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas, fornecedores, fabricantes e setores usuários de tintas avaliaram que a construção civil é encarada pelo governo como prioridade para atenuar os efeitos da crise, devendo receber forte estímulo, assim como as obras ligadas ao PAC - Programa de Aceleração do Crescimento.
De acordo com Fernando Peres, presidente do Conselho Diretivo da Abrafati, as tintas imobiliárias deverão ser o segmento mais aquecido, em função principalmente da construção de imóveis para a classe média e da habitação de interesse social. Tintas para manutenção, demarcação e marítimas também têm boas perspectivas, como conseqüência dos investimentos em infra-estrutura e no setor petrolífero.
Por outro lado, segundo o dirigente da Abrafati, alguns dos segmentos de tintas terão vendas mais fracas, como as de uso na indústria automotiva, que não repetirão o ótimo desempenho obtido até setembro deste ano. “Da mesma forma, as tintas para madeira e para a indústria em geral serão fortemente afetadas”, disse.
O presidente em exercício do Sitivesp - Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo, Paulo Cesar Abrantes de Aguiar, considera que para o Brasil e para as indústrias de tintas, em particular, o momento não é tão ruim como em outros países. Ele lembra que muitas obras começaram em 2008 e o acabamento se dará ao longo de 2009, devendo então continuar movimentando as indústrias de tintas.
A diretora da Lukscolor e presidente da Anfatis - Associação Nacional das Pequenas e Médias Indústrias de Tintas, Maria Cristina Potomati, diz encarar o momento com serenidade. “Podemos dizer que o brasileiro já tem phd em situações críticas, temos de ter um otimismo cauteloso, mas eu acredito que a gente vai conseguir passar essa fase sem grandes problemas”, assinalou. A executiva disse que o problema existe muito mais em relação ao custo dos suprimentos do que o de vendas. Acrescentou que hoje a subida rápida do dólar implica muito no setor, porque, embora seja feito tudo no Brasil, a base é o dólar. “Então a gente fica num momento muito complexo de formar custo”, assinalou Cristina.
O diretor da Universo Tintas, Douver Martinho, é mais otimista em relação ao momento econômico . “A crise existe, mas nós estamos dizendo o seguinte: no ano que vem a crise acabou, se Deus quiser”, assinalando que a empresa espera crescer no mínimo 12% em 2009. “Estamos investindo bastante e não paramos os nossos investimentos, o faturamento cresceu 17% em 2008. Admitimos que houve uma queda a partir de outubro, mas não no investimento. Estávamos investindo e vamos continuar investindo”, completou Douver.
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