30/jan/09
As indústrias de tintas estarão presentes na 17ª FEICON BATIMAT - Feira Internacional da Indústria da Construção, um dos eventos mais completos do setor da construção na América Latina. O evento será realizado em São Paulo, de 24 a 28 de março, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, e terá cerca de 650 expositores e mais de 2.000 lançamentos.
Segundo a ANAMACO (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), o setor fechou o ano com crescimento de 9,5% sobre 2007 e o faturamento do varejo de material de construção em 2008 foi de R$ 43,23 bilhões. Os dados refletem o comportamento das lojas em volume de vendas.
Para Claudio Conz, Presidente da ANAMACO, a estimativa é crescer 8,5% nas vendas feitas pelo varejo neste ano. "Tenho convicção de que teremos um crescimento muito semelhante ao que está sendo previsto para a China neste mesmo período", afirma. De acordo com o executivo, o número de obras lançadas e vendidas no ano passado, cujos contratos têm de ser cumpridos, irá gerar a necessidade de consumo dos produtos de material de construção. Este fator também vale para reformas que estão em andamento e não podem ser interrompidas. “Estudos mostram que, somente com o término das novas obras lançadas pelas construtoras, o que representa 23% do consumo total dos materiais, será gerado um crescimento de 4% nas vendas”, explica o presidente da entidade.
A expectativa do SINCOMAVI (Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Maquinismos, Tintas, Louças e Vidros da Grande São Paulo) continua sendo de crescimento de mercado. "Os ótimos resultados obtidos no ano passado não devem se repetir em 2009. No entanto, a estimativa inicial aponta para um aumento de vendas entre 2% e 5%, dependendo logicamente dos desdobramentos da crise", explica Reinaldo Pedro Correa, presidente da entidade. De acordo com ele, muitos prédios residenciais serão entregues e precisarão de reformas para se adequar às necessidades dos moradores.
As tintas
Acompanhando o bom desempenho do segmento da construção civil, as tintas imobiliárias também tiveram venda recorde em 2008. De acordo com a ABRAFATI (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), foram 864 milhões de litros, com crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Foi o quinto ano consecutivo de crescimento nas vendas, totalizando 30,5% de aumento no volume vendido entre 2003 e 2008. “O maior acesso ao crédito, os prazos mais longos para pagamento e as taxas de juros mais baixas contribuíram para estimular as vendas de materiais de construção para reforma e autoconstrução. Ao mesmo tempo, aumentaram os recursos disponíveis para financiamento habitacional. Tudo isso repercutiu na venda de tintas imobiliárias”, explica Dilson Ferreira, presidente-executivo da entidade. “Em 2009, esse deve ser o segmento da indústria de tintas com melhor desempenho, porque a construção civil continuará a receber forte estímulo. Esperamos um crescimento igual ou superior ao do PIB nas vendas este ano”, afirma.
Em relação aos impactos da crise no setor de tintas, o presidente-executivo da ABRAFATI acredita que eles existirão, mas serão amenizados por dois fatores principais. “O primeiro deles são os programas desenvolvidos pela indústria de tintas, que a tornam mais forte e competitiva. O segundo é a importância que o governo federal atribui à habitação, ao PAC - Programa de Aceleração do Crescimento e à indústria automotiva, que receberão, como já estão recebendo, atenção especial, visando evitar que suas atividades sejam prejudicadas”, explica. “Aliado a isso, a cadeia produtiva da construção civil está unida e, por meio de suas associações de classe, têm mantido estreito diálogo com as autoridades governamentais, apresentando propostas e discutindo ações conjuntas que minimizem significativamente o impacto da crise no setor”, completa. Destaca-se que as tintas imobiliárias representam cerca de 60% do faturamento total da indústria de tintas no Brasil, que alcançou R$ 5,4 bilhões em 2008.
Perfil do consumidor
Uma pesquisa realizada pela ANAMACO em parceria com a Latin Panel em 8.200 lares brasileiros analisou o comportamento do consumidor de material de construção. Segundo o estudo, o consumidor brasileiro teve um gasto médio de R$ 1.344,20 com material de construção em 2007, e que 77% das residências do país precisam de algum tipo de reforma ou construção. O cômodo mais reformado foi o dormitório (60% da população fez a reforma nos últimos seis meses). Para as classes AB, as reformas ocorreram em sua maioria nas áreas externas da casa, enquanto que nas classes DE os destaques foram a cozinha e o banheiro. O estudo aponta ainda que 1 a cada 3 lares brasileiros pretende reformar ou construir nos próximos seis meses.
O estudo abrange todos os municípios do país com mais de 10 mil habitantes, exceto os da região norte, devido ao difícil acesso. Ali são avaliados apenas os que superam as 200 mil pessoas. Ao todo, consegue-se apurar 90% do potencial de consumo brasileiro. A pesquisa foi divulgada no início de dezembro.
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