18/jun/01
A
arquitetura brasileira tem explorado a cor de diferentes maneiras,
adequando-se ao contexto histórico de cada época. A exposição
"Imagens da Arquitetura Brasileira", realizada em maio
na Bienal, em São Paulo, como parte das comemorações dos 90
anos da Basf no Brasil e 40 da Tintas Suvinil, mostrou uma
retrospectiva da história da arquitetura do país, evidenciando a
diversidade e a riqueza de cores, materiais, revestimentos e
texturas utilizados ao longo dessa trajetória, dividida em cinco
módulos.
O
primeiro módulo recebeu o nome de "Cores e Materiais Históricos"
e analisou a arte arquitetônica do período colonial, que se
estendeu do século XVI ao início do século XIX e teve
essencialmente um caráter português. "A arquitetura
portuguesa se caracterizava pelo emprego de pedras aparentes nas
portas e janelas, em contraste com as superfícies brancas de cal
das paredes", explica o curador da exposição, professor
doutor José Eduardo de Assis Lefèvre. Quando as requadrações não
eram de pedra, as partes em madeira e estruturais de portas e
janelas eram protegidas por tintas nas cores azul, verde e
vermelho. As construções
mais antigas eram pintadas com cores bastante escuras.
Já
no século XVIII, a predileção era por fundos brancos e
ornamentos em azul, vermelho ou dourado, seguindo-se os moldes da
decoração rococó. Lefèvre complementa: "Um contraste com
esta combinação de cores era proporcionado pelo emprego de
azulejos portugueses, predominantemente em azul e branco, no
interior de igrejas, claustros e mesmo em alguns exteriores".
Nessa época, a arquitetura brasileira fez uso de motivos
chineses, pois muitos artistas portugueses haviam sido
influenciados pelo contato direto com a arte oriental, que ocorria
nas colônias e feitorias fundadas pelos portugueses em todo
Oriente.
Num
segundo momento, após a chegada da corte portuguesa ao Brasil, no
século XIX, o Brasil entra em contato com modismos europeus, como
o neoclassicismo francês. Inicia-se assim um período de
ecletismo quando, segundo Lefèvre, "ocorreu uma ampliação
da gama de cores aplicadas à arquitetura, nas argamassas pintadas
com tons de ocre e amarelo, azul claro ou rosa, nas esquadrias de
madeira pintada, nos pisos de ladrilho hidráulico, nas pinturas
internas dos ambientes, decorativas ou monocromáticas". Além
dos fatores culturais, a Revolução Industrial permitiu, ao
desenvolver novos pigmentos químicos e bases para tintas, a
ampliação das possibilidades cromáticas, tornando assim as
casas multicoloridas, como mostrou o segundo módulo da exposição,
"O ecletismo e seus materiais".
Os
anos 30 e 40 do século XX, retratados no módulo três, "Anos
1930 e 1940", foram de predomínio da art déco na
arquitetura brasileira, movimento que mistura os princípios do
cubismo com elementos clássicos, não exigindo a funcionalidade
imprescindível para o design criado pela Bauhaus. Nos interiores,
aumenta a diversidade de cores e texturas. Cimentos coloridos em
tons de bege e rosa são utilizados nas argamassas de revestimento
aliados ao brilho provocado pela adição de mica. "O
contraste com elementos metálicos como gradís e balaústres é
outra característica dessa arquitetura", diz Lefèvre. As
construções do Empire State em Nova York, do Cristo Redentor no
Rio de Janeiro e da Secretaria de Esportes e Turismo em São Paulo
são algumas mostras desse movimento.
O
quarto módulo, com o nome "A arquitetura moderna e sua
disseminação", marca a busca pelo contraste, seja ele
provocado por superfícies brancas que destacam o azul do céu,
seja pela mistura de cores fortes. Lefèvre afirma que "não
há um conflito, há a procura de contrastes para salientar
volumes, caracterizar funções, ressaltar aspectos construtivos".
"O emprego do branco nas obras de Niemeyer, das cores primárias
nas obras de Vilanova Artigas, obedecem a uma preocupação de
marcar o caráter e a essência tectônica da arquitetura, longe
de qualquer intenção meramente decorativa."
A
última parte da exposição, o módulo denominado "Pós-Modernismo
e Contemporaneidade", abrigou construções diferentes, que
utilizam inúmeros materiais e tecnologias. O momento presente é
composto por uma riqueza incrível de experiências no campo da
arquitetura. "Atualmente ocorre uma diversidade muito grande
na produção arquitetônica, convivendo lado a lado obras que
representam a evolução das preocupações básicas do modernismo
com as posturas mais descompromissadas e lúdicas do pós-modernismo",
finaliza o curador.
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