13/set/02
Por
Luiza Marcondes
A
cor faz parte da vida dos seres humanos de uma forma tão
intensa que às vezes passa desapercebida. É como
o ar. É o colorido que dá forma às flores,
às roupas e aos objetos. Os ambientes interiores também
devem ter um colorido especial para ficar mais aconchegante.
Para
dar uma idéia de como isso funciona, a professora da Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo,
Lilian Ried de Barros e a diretora da Associação
Brasileira dos Designers de Interiores, Brunete Fraccaroli, citam,
por exemplo, que a utilização de um objeto colorido
pode transformar um ambiente por mais neutro que seja. Lilian
e Brunete fizeram suas explanações no I Encontro
Brasileiro da Cor, realizado dia 12 de setembro durante a Feitintas
2002.
Em
sua palestra, Lilian Ried de Barros, que hoje se dedica ao estudo
acadêmico da teoria das cores, explica que o uso das tonalidades
é uma preocupação antiga. Desde a Idade da
Pedra, as cavernas já eram decoradas com tintas. O homem
da Pré-História utilizava os desenhos pintados nas
paredes para expressar sentimentos e o próprio modo de
vida. "Não precisa usar a linguagem para expressar
algum sentimento quando se tem cor. Ela fala por si".
A
percepção das cores é diferente entre o Oriente
e Ocidente. "Aqui no Ocidente achamos que a cor é
sempre aparência. Já no Oriente, as cores carregam
símbolos. Ela sempre tem um significado especifico para
o povo oriental", comenta Lilian. Tratar a cor apenas como
sinônimo de aparência é um erro. "Na natureza
não existe forma sem cor. Só percebemos o formato
de uma flor se houver contraste com o plano de fundo".
Toda
a percepção humana das cores é feita através
da visão. "Nosso olho tem milhares de células
tricromáticas, responsáveis pela captação
das cores". Com a mistura das cores é possível
compor inúmeras combinações e formar novas
tonalidades. Segundo a arquiteta, nenhuma cor é absoluta.
Há uma variação muito grande de tons que
podem ser levados para o interior das casas, tornando o ambiente
com as características do proprietário.
Brunete
Fraccaroli mostra o lado prático das cores. Como os ambientes
podem ganhar novas características apenas com a utilização
de cores. Mas usar as cores não é tão fácil.
Depende de gosto pessoal e do objetivo que se quer atingir. A
arquiteta dá exemplos práticos de como modificar
os espaços. De acordo com a profissional, cores quentes
como vermelho, amarelo e laranja, "abraçam" o
ambiente diminuindo o espaço. Já as frias, como
o azul e o verde, dão a impressão de maior espaço.
Mas importante é não deixar o ambiente totalmente
frio ou totalmente quente. Para quebrar a neutralidade do ambiente,
a decoradora recomenda o uso de objetos coloridos. "A cor
é uma experiência fundamental na vida das pessoas.
É preciso ousar", ensina Brunete.
Roberto
Ferraiuolo, presidente do Sindicato da Indústria de Tintas
e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp), também
participou do encontro comentando o poder emocional das cores.
"Sabemos que a escolha adequada das cores de uma moradia,
por exemplo, implica na manifestação de um comportamento
emocional e está ligada à melhoria da qualidade
de vida, ou seja, de bem-estar, felicidade e alegria". Hoje
o mercado possui uma combinação infinita de tonalidades.
Têm cores para todos os gostos e todas os comportamentos.
Essa variedade é atribuída a mix machine, máquina
que mistura e cria novas cores.
O
Brasil no circuito internacional da cor
O
encontro foi promovido pelo portal MundoCor e a Associação
Brasileira da Cor (ABCor), com o apoio do Sitivesp. José
Cristovan de Góes, editor do MundoCor, frisou a importância
das palestras para o setor. "Decidimos realizar o encontro
em razão do crescimento do interesse das pessoas pela cor.
Não compramos cor, mas ela está presente em todos
aspectos de nossas vidas", disse ele. Nelson Bavaresco, vice-presidente
da ABCor, falou da necessidade do ensino das cores nas escolas
e em universidades. "Nós da ABCor achamos que a cor
deve ser matéria obrigatória nos colégios
e em cursos superiores. Estudando cor aprendemos física,
química, fisiologia, entre outras matérias",
completou Bavaresco.
O
I Encontro Brasileiro da Cor foi o primeiro passo para uma série
de eventos valorizando o estudo sistemático da cor. No
segundo semestre de 2004, o Brasil entra para o circuito internacional
dos estudiosos em cores. A ABCor é filiada a International
Color Association (AIC) e promoverá o encontro no país.
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