"Tudo
é cor dentro das artes gráficas." Dessa maneira, Cláudio
Rogério do Nascimento introduz o papel da cor nessa área. Cláudio
é técnico de ensino da Escola Senai Theobaldo De Nigris, na Moóca,
em São Paulo, que juntamente com a Escola Felício Lanzara
constitui o Cenatec (Centro Nacional de Tecnologia Gráfica). Uma
imagem para ser impressa passa por vários processos. O técnico
diz que dentro da escola "todos precisam saber de cor para se
chegar ao resultado final".
Se
a cor de um produto ou de sua embalagem parece irregular, fora de
seu padrão normal, é comum que isso seja associado a sua má
qualidade. É por isso que o padrão das cores de uma mercadoria
deve ser cuidadosamente respeitado pela gráfica, pois uma simples
alteração na coloração ou brilho podem comprometer sua imagem.
"Cada cliente tem sua cor", diz Cláudio, explicando que
muitas vezes uma empresa desenvolve uma "cor especial",
ou seja, uma tinta que mistura as cores na medida certa para ser
usada na impressão, que não pode sofrer nenhuma mudança.
A
Escola Theobaldo De Nigris oferece treinamentos de curta e média
duração em pré-impressão, impressão e pós-impressão, cursos
com duração de dois ou quatro semestres, integral ou meio-período,
para técnico gráfico e aprendizagem industrial e cursos
regulares noturnos superior em tecnologia gráfica, de oito
semestres e para técnico em celulose e papel, de 1600 horas.
No
processo gráfico, a imagem a ser reproduzida passa,
primeiramente, pela pré-impressão, quando suas cores são
analisadas em laboratório por instrumentos como o espectrofotômetro,
o densitômetro e o colorímetro e divididas, segundo a escala
européia, em preto, ciano, magenta e amarelo. Quando misturadas,
essas quatro cores podem dar origem a quase todas as outras
existentes. Cada uma dessas cores é formada pela junção de
pontos coloridos de diferentes tamanhos gerados por um filme
denominado fotolito. Esses pontos são identificados, filtrados e
posteriormente sua mistura é gravada em alguma superfície,
podendo dar origem a quase todas as outras cores existentes no
espectro. Na gravação, cada uma das quatro cores receberá uma
angulação, para que a percepção dos pontos não seja possível
a olho nu e eles formem um conjunto homogêneo que definirá uma
segunda cor.
Antigamente,
a separação das quatro cores era feita a partir da reprodução
do original por máquinas fotográficas muito precárias. O
problema era que o próprio homem fazia a seleção dos filtros
que a máquina usaria e, portanto, as variações nas combinações
para uma mesma reprodução eram grandes. Hoje, o scanner "lê"
o original, separa automaticamente as quatro cores e pode
reproduzi-lo diretamente na tela do computador, onde a imagem será
tratada, recebendo as reparações necessárias.
A
impressão pode ser realizada por cinco técnicas, dependendo de
seu fim: a impressão offset, a flexografia, a rotogravura, a
tampografia e a serigrafia. Em cada uma delas, a reprodução do
original é gravada numa superfície diferente. A impressão
offset é usada, por exemplo, para jornais e a gravação da
imagem é feita em chapas. Já na flexografia, a gravação é
feita num clichê de fotopolímero.
A
rotogravura é a mais indicada para materiais flexíveis. É a técnica
utilizada, por exemplo, na impressão do miolo da revista Veja.
Apesar de demandar mais tempo, ela permite uma maior precisão,
pois a imagem é gravada em rolos por lascas de diamante. Na
tampografia, a imagem é gravada num material intermediário, como
uma almofada de borracha, possibilitando a impressão em materiais
delicados ou curvos. A serigrafia produz um resultado com mais
brilho, sem limite de cores e com a espessura da tinta controlada,
mas a definição da imagem é de menor qualidade. Ela pode ser
aplicada na impressão de qualquer material, pois a matriz da
imagem é formada numa tela.
Ambos
com pais que são donos de gráficas, os alunos José Neto e
Fabiano Felipe Pereira procuraram a Escola Senai por acreditarem
que ela oferece os cursos mais conceituados na área gráfica. A
iniciativa de que José estudasse na escola Theobaldo De Nigris
surgiu de seu pai, que tem uma gráfica em Belém do Pará. José
está fazendo o curso de impressão offset, que considera
excelente. Já Fabiano escolheu a escola por influências de
amigos que estudaram lá. "Gosto de tudo na pré-impressão",
afirma ele, justificando sua escolha por esse ser o curso com o
qual ele mais se identificou. O tratamento da imagem no computador
foi o que mais atraiu Fabiano.
O
espaço da Escola Theobaldo De Nigris, que tem mais de 1500
alunos, abriga também a Print Media Academy (PMA), um centro único
na América Latina voltado à criação e difusão de
conhecimentos e tecnologias gráficas, criado em parceria com a
Heidelberg. Na PMA são dados cursos de impressão digital, na
qual a imagem passa diretamente do computador à máquina
impressora, sem a mediação do filme ou da chapa. Na escola também
está a sede da Associação Brasileira de Técnicos Gráficos (ABTG).
Para
obter mais informações sobre os cursos da Escola Senai Theobaldo
De Nigris, ligue para (11) 6097-6300/6302/6303.
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