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As cores

O projeto cromático valorizando
a pintura de casas e edifícios

25/ago/10

* Por Nelson Bavaresco

Casas e edifícios antigos, assim como os mais novos, deveriam ser repintados regularmente, não só por uma questão de estética, mas principalmente, por conservação, sujeitos que estão ao intemperismo.

A pintura ou a repintura são sempre uma boa oportunidade para o desenvolvimento de um estudo de harmonia cromática, valorizando assim o visual da construção, dentro de uma estética pré-definida por um projeto cromático. Com raras exceções, não é isso o que ocorre.

Quando o proprietário de uma casa ou o síndico de um condomínio contrata os serviços de repintura, nem sempre os fornecedores desses serviços estão aparelhados e capacitados para desenvolver projetos cromáticos. Eles se valem da experiência, o que é bastante válido. Entretanto, como não temos no Brasil uma cultura firmada sobre projetos cromáticos, e como também isso nem sempre é uma exigência de quem contrata esses serviços, a coisa fica o dito pelo não dito.

Normalmente, a encomenda se baseia mais numa discussão verbal, que termina num orçamento com a descrição do serviço a ser prestado, mas sem uma adequada definição do esquema de cores a ser empregado.

A operação também acaba sendo prejudicial ao prestador dos serviços contratados. Se ele tiver que enfrentar um proprietário super exigente e volúvel, ou um síndico cruel, tanto as regras do orçamento como o dito pelo não dito, se transformarão num tormento, com grande perda de material e de tempo.

Essas são boas razões para a reflexão, tanto para quem contrata e como para quem desenvolve serviços de pintura e repintura. A seguir, vejamos algumas fotos tiradas ao acaso na cidade de São Paulo, com comentários quanto ao aspecto cromático dos esquemas empregados.

Exemplo 1

Composição harmonicamente bem estruturada quanto à arquitetura do edifício. A cor laranja forte combinada com azul escuro, num esquema de cores complementares divididas com bastante branco, destaca bem este prédio comercial. O azul poderia ser um pouco mais claro, evitando a aparência de preto quando visto de longe.

Exemplo 2

Este pequeno edifício de moradia ganhou muito com a recente repintura. O esquema poderia ter mais de variedade quando à estrutura do prédio, com diversas possibilidades cromáticas, evitando assim uma certa monotonia, própria dos esquemas monocor.

Exemplo 3

Composição correta neste esquema de cores complementares laranja e azul. Uma segunda tonalidade de laranja em algumas áreas poderia tornar o esquema mais agradável, evitando o aspecto de uma grande massa de uma só cor.

Exemplo 4

Exemplo de composição sem vida, sem qualquer variação quanto aos relevos do edifício. Uma cor mais viva nas janelas poderia evitar esse esquema exageradamente monocor.

Exemplo 5

Edifício clássico com num esquema de cores análogas bem aplicadas na estrutura e nos relevos dessa construção, onde as cores estão bem harmonizadas com o todo, não fantando o contra-ponto de pequenas áreas em branco.

(imagens registradas pelo autor do artigo).

* Nelson Bavaresco - designer gráfico e pesquisador. Ministra cursos e treinamentos sobre Teoria e História das Cores – Linguagem e Significado da Cores - Harmonia e Mistura de Cores. É autor do Sistema de Cores Cecor. Mais detalhes no site: www.sistemacecor.com.br.

Veja também:

- As cores do céu e do arco-íris

- O gosto da cor

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