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As cores

A natureza simbólica da cor

29/out/09

* Por Paulo Felix Marcelino Conceição

VIVA O DIA DA COR!

Sol devo ser e devo com meus raios
Pintar o mar sem cor de toda a divindade.
Ângelo Silésio

A mudança para melhor só acontece pela intervenção da tendência prometeica que, graças à intuição e à compreensão, leva, inicialmente poucos, mas depois muitos à tomada de consciência.
Carl Gustav Jung

Cor é a manifestação da luz, um símbolo da vida que renasce na primavera e permite a liberação do fluxo da libido presa no inconsciente pelas amarras do tédio e da falta de criatividade. Um verdadeiro convite para superar a monotonia de vidas em desencanto, por meio da adoção de um estilo de vida mais autêntico, saudável, elevado e espiritual. Ideais de comportamento que reportam ao espírito olímpico, às danças e aos jogos que se inseriam nas celebrações aos deuses da Antiguidade Clássica por ocasião da primavera e das colheitas.

O uso da cor na Grécia antiga e no Renascimento está associado à busca do equilíbrio entre arte e ciência - mente e corpo. Nestes contextos, os deuses representam os desejos e vicissitudes da alma do ser humano, aspectos psicológicos arquetípicos que têm grande influência na psicologia analítica. Síntese de processos mentais que encontram em Afrodite ou Vênus na tradição romana, um profundo simbolismo. Pois, conforme o mito, Afrodite surgiu da espuma do mar – um dos grandes símbolos universais do inconsciente.

Para Empédocles (492 a.C), um dos precursores da medicina moderna, foi Afrodite, a deusa da beleza, que criou o olho do ser humano a partir dos quatro elementos primordiais: água, terra, ar e finalizou ao colocar o fogo dentro do olhar do ser humano.

Para Carl G. Jung, a quaternidade consiste num dos princípios ordenadores do caos, a tentativa do homem colocar ordem em imagens e sentimentos aparentemente desconexos, o arquétipo como força de natureza psicogenética e princípio norteador da percepção da realidade, do comportamento e das formas de organização social. Daí a importância que as cores, a harmonia e a beleza elevadas à potência divina têm de resgatar o desejo de viver e o encanto de um país.

O Brasil no imaginário mundial é o novo mundo, um paraíso terreno que emana luz, cor e vida. Entretanto, a violação desse imaginário tem um custo de valor intangível, afasta o turismo e prejudica a aceitação dos produtos brasileiros. Além disso, espaços sombrios e degradados provocam sentimentos de medo e ansiedade que prejudicam a saúde da população.

No plano do desenvolvimento, o uso sustentável da cor está em profunda sintonia com o conhecimento científico e a capacidade tecnológica, pois as cores revelam além da alma de um povo, aspectos associados com a qualidade da educação e a capacidade produtiva. Assim, as cores revelam-se como manifestações arquetípicas que evidenciam características da dinâmica psicossocial das pessoas e dos grupos desde a Pré-História por meio das cores dos desenhos nas paredes das habitações do homem primitivo.

O uso inteligente da cor pode propiciar maior funcionalidade aos espaços, equilíbrio, harmonia, saúde e bem estar psicossocial. Porém, na atualidade, a dúvida consiste em qual o aspecto arquétipo que é dominante no psiquismo do ser humano e que está sendo revelado por meio do uso inconsciente da cor.

* Paulo Felix Marcelino Conceição é psicólogo clínico, professor e doutor pela Universidade de São Paulo, bacharel em química com experiência no desenvolvimento de produtos e cores para a indústria têxtil. É vice-presidente da Associação Pró-cor do Brasil.

Veja também:

- A cor como informação

- Significado das cores nem sempre é o mesmo entre vários povos

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