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As cores

Projeto de pintura coletiva destaca
importância das cores e torna a arte
mais popular

27/jul/11

Difundir o prazer lúdico proporcionado pela experiência de mexer com cores e tornar a pintura artística menos elitista. Este é o objetivo do projeto Melting Paint, criado por um grupo de jovens designers franceses, que desde 2007 vem desenvolvendo um trabalho de arte coletiva e colhendo resultados em seu intento, não só na França, mas em outros países da Europa e está chegando ao Brasil.

A história começou na pequena Le Grand Bornand, na divisa com a Suiça, com três jovens voluntários de um festival anual de teatro e gincanas que decidiram propor uma iniciativa diferente no evento de 2007: contar a história da arte, desde a pré-história até os dias atuais num grande painel de 16 x 2 m, no muro de um prédio residencial da cidade.

Pierre Amoudry, ilustrador, Guillaume Bétemps e Hugo Bosse, designers gráficos elaboraram um croqui da pintura, ampliaram no muro e convidaram os membros da comunidade para pintarem pequenas partes da obra. Ao todo 226 pessoas participaram do projeto dessa arte coletiva.

Segundo Guillaume Bétemps, que veio ao Brasil para aprender a falar português, o que já faz quase fluentemente, depois de uma permanência de 6 meses, até agosto de 2011, a experiência tem sido gratificante. No início, as pessoas ficam um pouco reticentes em participar do processo de pintura, mas depois de aceitarem o convite e colocarem as mãos nos pincéis e nas tintas, decidem não parar mais.

Na experiência com arte coletiva no muro do prédio residencial, o primeiro resultado foi a constatação de que a pintura colorida deixou o local bem mais agradável e bonito.

“Para quem não está ligado ao mundo das artes, a descoberta das inúmeras possibilidades de combinações e misturas de cores é fantástica, principalmente para as crianças”, diz Guillaume. Ele lembra de uma experiência com um grupo de meninos. Eles foram solicitados a pintar três pássaros. Deveriam pintar um pássaro de azul e o segundo de amarelo. Fizeram isso e depois de pronto perguntaram de que cor pintariam o terceiro pássaro. Os orientadores disseram que deveriam pintar com a cor resultante da mistura do azul e do amarelo. Os garotos mostraram-se maravilhados por descobrirem na prática a cor resultante, o verde.

Os criadores do Melting Paint acreditam que com a sua iniciativa estão colaborando para difundir o interesse pela arte em todas as camadas da sociedade. Nos projetos de arte coletiva, as pessoas, mesmo sendo leigas, descobrem o valor da obra criada com a sua participação e lançam uma semente para futuros planos.

Depois de tornarem-se conhecidos na Franca, os jovens do Melting Paint foram convidados a desenvolver projetos em outros países da Europa. Em 2008, coordenaram o projeto de arte coletiva de Karkrshube, na Alemanha, num festival de malabarismo, onde criaram um painel de 15 x 1,30 m, com o tema “O Universo do Malabarismo, do Inferno ao Paraiso”.

Em 2011, participaram do Festival de Paleo, perto de Barcelona, um importante evento de música, onde o tema da criação do grupo foi “Haiti, uma Ação contra Fome”. Depois vieram outros trabalhos também na França, na Espanha e na Holanda, sempre com a mesma proposta.

Trazendo a ideia para o Brasil

Guillaume diz ter um interesse particular pela cultura brasileira e por isso veio passar um período de seis meses aqui para aprender a língua. Manifesta também a vontade de implantar aqui iniciativas com a filosofia do Melting Paint que pode ser melhor conhecido no seu site na Internet, no endereço: www.meltingpaint.com. Ele pretende entrar em contato com entidades e empresas franco-brasileiras para viabilizar a iniciativa, de maneira a tornar mais bonitos os espaços comunitários e abrir caminhos para o conhecimento da pintura artística junto às pessoas de todas as classes sociais.

Veja também:

- As cores do céu e do arco-íris

- O gosto da cor

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