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As cores

As luzes que brilham mais e dão novo
colorido às cidades nessa época do ano

20/dez/02

Por Harlley Alves

Sai ano velho, entra um novo ano. Nas luzes das cidades, uma profusão de cores anuncia o natal e a virada de um novo tempo. Nesse ritual de fé e esperança, as cidades dão adeus ao cinza urbano e se apresentam com novas roupagens, mais alegres, coloridas e mais luminosas.

Árvores, shows pirotécnicos ou estrelas, as cores e luzes constituem o elemento em comum a todos os ícones das festas de fim de ano. Por toda parte, cidades, capitais ou vilarejos distantes, se empenham na decoração para as festas que vão marcar a esperança por dias melhores.

Em Recife (PE), o natal da Estrela-Guia já colore a cidade com muitas luzes e recria um ambiente que a cidade já conhecia no século 19. As ruas e árvores da capital pernambucana receberam mais de 10 mil lâmpadas, decorando os bairros, renovando o ânimo de seus moradores.

Outras cidades do Brasil dão o contorno natalino às suas casas e construções com lâmpadas e cores. Blumenau (SC) é uma cidade com dois lados: de dia não faltam Papais Noel, vilas natalinas e outras decorações que entusiasmam crianças e adultos. À noite, o encantamento vem com muita luz, dando nova forma às construções, lembrando com milhões de microlâmpadas a época especial do ano.

Em Curitiba (PR), o tom festivo veio em concursos de decoração de natal, presépios e passeios que reafirmam o clima de comunhão e de alegria. No Rio de Janeiro (RJ), os preparativos para receber 2003 contam com as tradicionais festas e fogos de artifício que se tornaram marca do reveillon carioca, sempre acrescentado com muitos shows.

Luzes e cores contribuindo para um clima de mais fraternidade

Em cada cidade, em cada recanto, o show principal fica por conta do clima de união e busca por felicidade, reforçado pela decoração e luzes coloridas. É bem verdade que no Brasil, de maneira geral, a iluminação nesse período de passagem de 2002 para 2003 não é a mesma de anos anteriores, provavelmente pela lembrança do racionamento de energia elétrica de um ano atrás. As manifestações mais ousadas ficam por conta do comércio, que utiliza a decoração para objetivos de marketing.

As comemorações do Natal e Ano Novo propiciam uma forma diferente de se ver as cores. "O Natal faz parte do espírito das cidades", afirma a guia de turismo Célia Cristina Pescuma, que conduz passeios pelas decorações de natal da capital de São Paulo. "São poucas as possibilidades de se ver as cidades tão bonitas à noite e esse lado de alegria é a cara de São Paulo", diz Célia, enfatizando o lado menos cinzento que as cidades adquirem nessa época do ano.

Para o arquiteto e designer de iluminação, Guinter Parchalk, é a reflexão de como e para que se vive que inspira as decorações de fim de ano. Segundo ele, nesse tipo de decoração o conjunto criado com as cores e iluminação conduz à introspecção. "A decoração chama a atenção para o resgate dos valores e do verdadeiro espírito do Natal", disse ele. "Você só não pode fazer como o comércio, que confunde o Natal com a corrida de São Silvestre", opina o arquiteto.

O arquiteto Rogério Batagliesi, coordenador do Fórum da Paisagem - uma associação ligada à Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e que busca um visual mais positivo para São Paulo, entende que cada vez mais, a decoração de fim de ano desaparece no meio do contexto urbano, absorvida pelo chamariz das propagandas.

Segundo Rogério, algumas decorações são dispostas sem critério, aumentando a poluição visual de cidades. Ainda assim, ele acredita no clima singelo das festas de Natal. "As pessoas acabam lembrando que a data é de celebração da vida e mostram soluções criativas para demonstrar seu espírito natalino".

Para Guinter Parchalk, a decoração de fim de ano precisa conter uma carga de informação poética que traga as pessoas para a coletividade. De acordo com o profissional, ela ajuda 'a entrar no clima' e, para isso, não há luz, nem cores erradas. "A iluminação sozinha não traz muitos efeitos. É preciso pensar que há uma mensagem a ser enviada e para isso temos as cores".

Tradicionalmente, as pessoas usam vermelho, verde e branco, 'mas qualquer cor pode ser usada. Veja os presépios, que desde sempre são muito coloridos', observa Guinter, que acredita que as cores, estejam elas nas luzes ou na própria decoração, podem ser usadas de forma que o emocional das pessoas seja acionado positivamente e "não meramente com o uso de lâmpadas coloridas, só para chamar a atenção", pondera o arquiteto.

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