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As cores

Tratado de Ontologia das Cores:
segunda edição chega ao mercado

12/dez/03

Violeta

O violeta como o espiritual divino. Reflete na posição mais extrema das altas freqüências. No espectro: ordem crescente dos valores de freqüência exprime uma respectiva ordem crescente de transcendência da realidade. Plano de transcendência mais elevado do que o plano do azul, que é o plano do espiritual humano. Violeta é mais transcendente do que o azul - é mais espiritual do que o azul, exprime o plano do espiritual divino, do sagrado.

No movimento da evolução, mal o espírito irrompe na natureza e imediatamente ele é atraído para um espiritual transcendente, um movimento espiritual historicamente traduzido pelos conteúdos das religiões e dos mitos como que num esforço pelo qual através dele o homem tentasse travar relações com poderes transcendentes e sobrenaturais.

Consolidada a presença do espiritual humano, daí em diante o espiritual divino não cessa de fazer nele as suas inscrições. Além do mito e da religião, a cultura mediatiza através dos conteúdos da arte, da mística e de certas abordagens mais abstratas da própria filosofia e do conhecimento.

As visões que o místico capta da Divindade, os encontros que o religioso trava com o Sagrado e as inspirações que o artista busca no Belo, são visões que chegam de um domínio para além do domínio do espiritual humano.

Não é um cosmo espiritual com coisas e substâncias, como se fosse um lugar situado no além transcendente, como a idéia de céu construída pelo cristianismo, um lugar de bem-aventuranças. Impossibilitado de captar o ser, o espiritual humano logra ter visões apenas das suas vizinhanças ontológicas. Mundo do divino é a reverberação no espiritual humano da transcendência absoluta do ser.

Mundo do Divino é um mundo refletido no espiritual humano, um mundo hipostasiado com as perfeições na forma de intuições, arquétipos, inteléquias, mônadas, crenças. Alguns acontecimentos teológicos e culturais são esforços para reproduzir na ordem do mundo algumas das perfeições da ordem do divino.

Azul exprime uma natureza espiritual: o violeta exprime um estado de espiritualidade. O mundo do divino não é um nada ontológico: a consciência não suporta a visão do nada, sem sofrer em medidas dilatadas os danos da desestruturação existencial. A visão e as doutrinas do nada como ponto-de-chegada da existência humana produz desespero existencial.

O violeta das semanas santas: transmutação da vida do Cristo, da dimensão do mundo material para a dimensão do mundo espiritual. A morte do Cristo: para o mundo divino de seu Pai, para o espiritual de ordem superior, para o espiritual divino, dos cafundós do Poço da Anta, margeando as encostas da Serra do Boi, vínhamos pra vila participar dos ritos da Paixão.

O violeta como conhecimento intuitivo

Impulso de contemplar as perfeições primeiras das coisas, de recriar o transcendente através da arte e da religião. Os sistemas filosóficos metafísicos, nas suas intuições mais essenciais: insights do divino. De onde viemos, o que somos e para onde vamos: impossível teorizar sem possuir uma certa visão do divino. Efeitos notáveis sobre o psiquismo dos artistas - estimulador dos dons espirituais. Absoluta anterioridade cognitiva – pré-reflexivo. Dinamiza os processos não intelectivos da mente, como a intuição, a imaginação, a visualização, a inspiração, a iluminação, o êxtase. Daí o violeta ser a cor da arte, a linfa espiritual estimuladora dos dons da música, do desenho, da pintura, da escultura, da poesia, da ficção.

O violeta nos ambientes

Atmosfera severamente espiritual: transporte para um mundo transcendente e metafísico. Sensação de termos todas as nossas imperfeições postas a nu diante de nós. Espelhos que nos mostram a face espiritual que efetivamente possuímos. Caixas de ressonância espiritual: aceitamos as verdades que nos incomodam, em dócil atitude de assentimento.

Lugares onde são desenvolvidas atividades místicas, de curas, de auxílio espiritual, de autodesenvolvimento psíquico, de culto e adoração. Com o preto: insuportável atmosfera fúnebre. Harmoniza-se com as formas curvilíneas, em especial as elípticas, hiperbólicas a parabólicas. Impulso de ligar o finito ao infinito, o temporal ao eterno, o físico ao não-físico.

Tratado de Ontologia das Cores - Autor: Osny Ramos - Publicação: Jomar Editora. Mais dados sobre o livro e o autor no site da editora: www.jomareditora.com.br.

Clique para saber mais sobre as cores:
branco / preto / vermelho / amarelo / verde / azul / violeta

Veja também:

- A cor como informação

- Livro aborda papel da cor no processo criativo

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