12/dez/03
Branco
Todas
as cores estão presentes no branco - totalidade cósmica:
holística externa. Branco é síntese absoluta de
todas as diferenças e oposições cromáticas.
Branco é totalidade integradora. Igualdade feita de diferenças,
repouso feito de movimentos e harmonia feita de conflitos. Unidade na
pluralidade e harmonia de contrários: holística interna.
Paz
e Harmonia
Não
é abrandamento ou eliminação dos conflitos, mas
ausência de conflitos. Não é a paz dos acordos que
contém ainda conflitos ocultos residuais. É absoluta coincidência
entre o espírito e o ser do espírito. É a paz da
interioridade, que já é paz antes do conflito, antes do
perdão e dos acordos. Sensação de que tudo é
parte integrante de um grande ser. Não havendo diferença
nem oposição, resta apenas o repouso, a paz.
Universalidade
integrativa e totalidade holística. Consciência do valor
de cada coisa e de sua importância na economia do universo. Consciência
de que sem a nossa presença o universo não está
completo. Um permanente estado de nirvana. Repercussão em nosso
espírito da consciência de fraternidade universal.
Pureza
Essencial
Por
processos quantitativos é impossível o branco deixar de
ser branco. O branco pode deixar de ser branco somente por processos
qualitativos – alteração da essência.
O
branco possui a pureza essencial, pureza ontológica, é
puro no seu em-si. Ser puro como o branco é ser conforme a essência.
É existir de tal modo que o modo-ser-no-mundo coincida com o
modo-de-ser da essência.
No
branco, pois, não há mentira, nem traição,
nem falsidade, nem preconceito, nem infidelidade. Pureza sexual expressa
no branco do véu nupcial e nos vestidos das debutantes. Pureza
espiritual nas vestes dos neófitos. Pureza asséptica nas
cores nos jalecos dos médicos e enfermeiros.
O
Ser, o Absoluto, o Uno
Presencialidade
de uma totalidade ontológica, que é o todo da realidade.
Exprime a imagem cósmica do ser. Determina-se absolutamente:
não existe um mais-ou-menos branco. Exprimindo o ser, o branco
exprime os valores absolutos e torna-se a medida da perfeição
das coisas. É a perfeição, a verdade. É
a presença de todas as cores, ao mesmo tempo que a ausência
delas. Contém o ser e o nada ao mesmo tempo.
Desde
sempre, tudo já estava no ser, ainda indeterminado, o presente,
o passado e o futuro e todo o universo como ele é hoje e como
sempre será. Impulso de compartilhamento de nossas coisas e de
nossos dons. Compartilhamento como doação, não
como caridade. Energias refreadoras naturais contra toda forma de egoísmo
e egocentrismo. Risco do afrouxamento demasiado do contato com o real.
O
branco nos ambientes
Tudo
parece adquirir ordem, equilíbrio, disciplina e harmonia. A desordem
ganha menos expressividade. Poder de dilatar o tempo, desfazendo as
nossas urgências. Tudo parece ser regido por uma ordem temporal
mais lenta. Como as enfermeiras de branco, as pessoas parecem ser sempre
pacientes, compreensivas e imperturbáveis. Sensação
de se penetrar num mundo sem nenhuma referência conhecida.
Induz
à contemplação, à meditação.
As coisas parecem adquirir o valor das suas qualidades essenciais em
medidas absolutas. A esfera revela-se mais fielmente em sua esfericidade,
o áspero mais fielmente em sua aspereza, o sensível em
sua sensibilidade, o tênue em sua tenuedade. A mentira e a falsidade
são mais constrangedoras, tanto quanto os demais defeitos de
caráter.
Elimina
os contrastes, as arestas e as descontinuidades. Aparência de
um todo estético contínuo, aparência de esfericidade.
Tudo parece ter a forma curva e a retiliniedade desaparece. Uma sala
branca funciona como uma espécie de sumidouro de som.
Tratado
de Ontologia das Cores - Autor: Osny Ramos - Publicação:
Jomar Editora. Mais dados sobre o livro e o autor no site da editora:
www.jomareditora.com.br.
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