Por
Harlley Alves
Teriam
as cores o seu papel na sociedade da informação? Através
dos códigos biofísicos, lingüísticos e culturais,
autor mostra a participação das cores na sociedade.
O
conhecimento do fenômeno cor está contido em um universo
que envolve o agrupamento de ciências antropológicas, físicas
e socioculturais. As razões de sua influência, no entanto,
muitas vezes são apenas afirmadas, sem explicações.
Parte
da ciência que fundamenta o existir da cor é abordada no
livro 'A cor como Informação: a construção
biofísica, lingüística e cultural da simbologia das
cores' (Editora Annablume, 145 páginas), obra do jornalista e
artista gráfico Luciano Guimarães.
Na
obra, o autor apresenta os aspectos científicos da percepção
visual das cores e seu uso informacional, buscando para esse objetivo
os códigos biofísicos e culturais que resultam na compreensão
das cores.
Paulista,
nascido em 1967, Guimarães é professor de Planejamento
Gráfico em Jornalismo da Universidade Federal Paulista (Unesp)
e mestre e doutorando em comunicação e semiótica
na PUC de São Paulo, onde desenvolveu a dissertação
de mestrado 'Cor, Corpo e Cultura: interferência biofísica
na percepção cultural', do qual é conseqüência
o livro 'A Cor como Informação'.
No
livro, a divisão dos capítulos é indicada com as
cores do espectro solar (capítulos violeta, azul, verde, amarelo,
laranja e vermelho) e cada um discorre sobre as formas de percepção
e produção das cores e seu uso em informações
culturais, sejam essas manifestações políticas
ou esportivas.
Guimarães
narra as primeiras pesquisas sobre a cor, mostrando a origem dos conceitos
existentes, em uma busca que segue os antigos e mais recentes conceitos
que compõem a literatura sobre as cores, à medida que
apresenta explicações que vão das descobertas de
Newton (1704) e Goethe (1808) ao sistema Coloroid, de 1980.
A
pesquisa de Guimarães mostra como se deu a nomenclatura de algumas
cores. Da cyan, que de acordo com a obra, vem do grego Kyanós,
um azul-esverdeado que têm os mares da Grécia. De azulaih,
se tem o nome azul, cor dos céus, em árabe antigo. Vermelho
é uma variável de vermiculo, cor do sangue, em latim,
e magenta que vem da Batalha de Magenta, entre Áustria e França.
Para
o leitor que ainda desconhece as definições de matiz,
valor e croma, ou mesmo o que vem a ser a manifestação
cor, são explicadas suas diferenças e formas de uso, de
forma técnica às vezes, mais didática, em outras.
Fazendo, ainda, passagens pela recepção física
e neurológica das cores e por possibilidades de combinação
e de harmonia entre elas.
Teriam
as cores o seu papel dentro da sociedade da informação?
É o que Luciano Guimarães procura defender no decorrer
do livro. Percorrendo os caminhos científicos do fenômeno
cor, Guimarães o descreve como participante da linguagem visual.
Ele estudou a ação dos fatores biológicos, químicos
e físicos para a criação da informação
COR e a influência desses em sua percepção cultural,
quando assume outros aspectos, tanto de forma visual, quanto sígnica.
E, a partir daí, a transmissão de informações,
através de sua simbologia.
Esse
simbolismo das cores é contextualizado com os registros científico-históricos
de sua origem, revelando de onde surgiram noções como
a traição para a cor amarela, esperança, equilíbrio
e permissão para a verde e revolução, guerra, amor
divino e paixão para a cor vermelha.
O
resultado é a representação prática das
teorias, com o uso das cores na produção cultural de revistas
e em manifestações culturais onde a representação
máxima dos ideais é marcada com as cores, nos quais são
mostradas, ainda, as interpretações negativas ou positivas
que podem assumir, na produção de textos cromáticos
de informação.
Um
livro para quem precisa entender a cor, além da afirmação
de seus significados.
A
Cor como Informação: a construção biofísica,
lingüística e cultural da simbologia das cores. Editora
Annablume. 145 págs.
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