21/ago/02
Por
Harlley Alves
A
embalagem de todo produto que vai para o mercado recebe uma atenção
especial, principalmente em relação à harmonia
das cores que vão compor o seu visual. No caso das tintas, pode-se
dizer que a preocupação em causar uma boa impressão,
literalmente, está dentro e fora das embalagens.
A
maioria das embalagens de tintas é metálica, feitas de
folhas de flandres. É a metalgrafia que imprime o visual das
latas com os rótulos e as logomarcas das empresas, informa Miguel
da Costa, supervisor de litografia da Companhia Metalgraphica Paulista
(CMP), uma das principais fabricantes de embalagens para tintas.
A
área que cuida desse processo e que participa da revelação
de uma marca para o consumidor é chamada de litografia. Na impressão
litográfica, semelhante ao processo gráfico para papel,
os litógrafos se antecipam ao envasamento da lata e não
perdem de vista os cuidados que o metal requer para que possa abrigar
uma tinta de forma apropriada.
Esses
profissionais ainda precisam conhecer as noções de combinação
das cores, para que, quando sobrepostas, produzam a cor que determinado
rótulo exige. 'Quando tive meu primeiro emprego nessa área,
eu nem sabia o que era isso', recorda Miguel, que é litógrafo
há mais de 40 anos. O maquinista, que aos 16 anos se envolveu
com a litografia através da indicação de um colega,
tem a opinião de que o aprendizado real só acontece com
a prática.
Miguel
explica que, apos desenvolver a lata, é levado ao cliente uma
amostra de como será o trabalho final. Há a preparação
do prelo, que é um modelo ainda em chapa plana de como a lata
vai sair. Em seguida, é feita uma cartela de cores, que mostra
as variações de saturação e brilho das cores
do rótulo, durante suas várias cópias. Depois de
aprovada pelo cliente, ela vai servir como base das tolerâncias
mínima, normal e máxima que a qualidade de impressão
nas folhas de flandres deve ter. Ela serve de parâmetro para o
trabalho.
Tendo
em mãos a autorização para fabricar as latas, é
produzido o fotolito, um filme que contém o desenho do rótulo
e que na copiadora grava o visual da lata na chapa de metal. A chapa
vai servir de matriz para a impressão em série das latas.
Costa lembra que para cada uma se reserva uma cor, sendo, nesse momento,
imprescindível que o profissional de litografia conheça
o processo de formação das cores, sabendo qual conjugação
de chapas e cores irá resultar no rótulo solicitado pelo
cliente.
A
tinta utilizada precisa conter alta solidez à luz, para que a
pintura da lata dure, no mínimo, seis meses. Caso contrário,
a exposição à luz do sol vai provocar o desbotamento
da tinta que revestiu a lata. Segundo Costa, a primeira cor que a lata
recebe geralmente é de um esmalte branco, antecedendo as cores
que cada chapa de fotolito reserva. Esse branco de fundo é colocado
por exigência dos clientes, mas pode variar para uma outra cor.
A
seqüência das cores é predefinida na máquina
de impressão, que submete o metal a um calor de 145ºC, fazendo
a secagem da tinta, que ainda recebe um verniz incolor de acabamento,
para o brilho e proteção da pintura. Costa avisa que,
na hora do envasamento, algumas latas podem receber um verniz epóxi
interno. 'Ele é aplicado quando o produto que as vai ocupar é
à base d'água, como determinadas tintas ou massa corrida.
Sem ele, a umidade do produto pode corroer o metal de dentro para fora,
por conseguinte, afetando as qualidades do produto.'
Quando
o envernizamento interno é necessário, ele é a
primeira etapa de pintura, porque sua cura é feita aos 205ºC.
Se fosse feito por último, iria estragar a fixação
do rótulo, que é feita em temperatura inferior a essa.
Costa, que entrou nesse ofício por acaso, diz hoje com muita
propriedade que uma lata pode receber até oito demãos
de tinta para apresentar a cor ideal. Um trabalho com rótulo,
mais o envernizamento, leva aproximadamente oito horas, na produção
de seis mil latas.

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