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As cores

Cada vez mais a cor se faz presente
na decoração de clínicas e hospitais

Por Harley Alves

A utilização harmoniosa das cores e toques especiais de decoração mostram que o ambiente hospitalar e das clínicas de saúde pode realçar muito mais a relação com o sentido de vida. Com um visual que em nada lembra as instituições médicas tradicionais, os hospitais e clínicas particulares passam a investir na decoração de interiores, levando total comodidade a seus hóspedes. Maternidades de luxo, salas de espera dotadas de conforto médico moderno e funcional e suítes que reúnem características de hotel cinco estrelas. Tudo com direito a cores, música ambiente, banhos aromáticos e outros acessórios para relaxar.

O atendimento humanizado, como a prática vem sendo chamada, visa melhorar a qualidade das relações humanas na área da saúde. Nesse novo modo de receber, os parentes mais próximos podem até circular pelo ambiente, numa tentativa de diminuir a sensação de desamparo das internações.

O conceito vem causando uma enorme influência nos serviços prestados pelos hospitais, sobretudo nas redes privadas. As experiências da área médica apontam que a qualidade do contato humano poderia minimizar os efeitos traumáticos das internações. Para isso, apostam em um relacionamento mais afetuoso na relação hospital-médico-paciente, entendendo a decoração de interiores como um dos méritos dessa prática.

O exemplo que vem do Rio de Janeiro é o Centro Médico Barra Shopping, onde a cor foi utilizada para sinalizar as alas do hospital. O arquiteto Anibal Sabrosa, da RAF Arquitetura, empresa que desenvolveu o conjunto, explica que através da cor pôde diferenciar as alas do hospital: tons mais quentes sinalizam o setor oeste e os mais frios o setor leste. “Nesse caso, utilizamos a cor explorando o conceito de setorização”, disse Sabrosa. “Hoje, os edifícios de saúde são projetados visando o melhor bem-estar possível a seus pacientes. Tratá-los como ‘hóspedes’ ou ‘clientes’ atendem a esse conceito. O importante, e interessante, é perceber que esse cuidado especial no tratamento contagiou todas as outras áreas do edifício e seus serviços também.”

É o que mostra o Hospital São Luiz, na capital de São Paulo, onde cromoterapia, aromaterapia e música ambiente embalam o sono dos bebês. A maternidade foi especialmente decorada para que mães e recém-nascidos tenham todos os motivos para relaxar. TV a cabo, banheira de hidromassagem e teto com iluminação especial estão entre as amenidades que o espaço reserva, desde a hora do parto: à medida que o bebê se aproxima, diferentes luzes são acionadas, vermelhas para estimular as contrações, azuis para acalmar.

Para aliviar o estresse dos médicos, a instituição ainda montou um ambiente aconchegante e repleto de facilidades, que segue as tendências da decoração contemporânea e em nada lembra a imagem tradicional de um hospital. O local foi projetado pela arquiteta Cláudia Costa, que revestiu uma das paredes com madeira de demolição e pintou as outras na cor laranja, para aquecer o ambiente e garantir a harmonia energética do espaço. “Usamos madeira e cores quentes para dar ao ambiente um aspecto mais aconchegante”, detalha a arquiteta. A proposta do ambiente é levar a seu corpo clínico a sensação de estar fora da área de trabalho.

Os projetistas parecem dedicar grande parte de sua atenção às influências subjetivas que o ambiente pode passar. A arquiteta e lighting designer Neide Senzi, do escritório paulista Senzi Consultoria Luminotécnica, explica que o impacto emocional e estressante de estar num hospital é atenuado quando o ambiente médico é semelhante às imagens positivas que o paciente traz consigo – como um jardim familiar ou a sala de estar de sua casa.

A arquiteta, que encara a luz como elemento de design, diz que a iluminação é um dos elementos que podem ser utilizados para acalmar: “O correto uso da luz é tão importante para o bem-estar dos pacientes de hospitais quanto o das cores. A iluminação diferenciada e com efeitos inusitados, muitas vezes com cores que transmitem sensações de tranqüilidade e calma - como as azuis e verdes claras - nos envolvem e transmitem uma percepção visual muito diferenciada e de extremo apelo visual.”

A influência da luz e cor em corredores de hospitais

A gama de cores que a indústria produz abre muitas possibilidades de composição cromática, o que faz com que o projeto seja submetido a conceitos clássicos da decoração. “As cores devem sempre ser utilizadas com parcimônia, principalmente se forem muito vibrantes e em ambientes pequenos”, diz a mestre em arquitetura Marilice Costi, autora de um estudo em hospitais de Porto Alegre-RS sobre os efeitos da luz e da cor nos pacientes e em corredores de hospitais.

“A decoração de um hospital recebe toda a acuidade com os detalhes que o design de interiores tradicional prega. Contudo, pudemos perceber que é um ambiente no qual as pessoas não param para refletir sobre as cores na sala de espera, a não ser que a gente as induza. Mas, em contrapartida, não ficam indiferentes a nenhuma delas. Um exemplo é que embora não haja o risco de infecções através da arquitetura, cores saturadas tendem a não ser bem-vistas pelos usuários, que vêem nelas uma chance da cor esconder a sujeira do lugar. Já as cores claras são as que ganham o maior índice de aprovação, por sempre estarem associadas à higiene.”

A pesquisa, que envolveu mais de 180 usuários, entre pacientes e funcionários, originou o livro ‘A Influência da Luz e da Cor em corredores e salas de espera hospitalares’. Marilice conta que a análise partiu para o estudo de hospitais da rede pública para determinar se espaços simples poderiam ter um planejamento de cores adequado. Além disso, na maioria dos estabelecimentos é esquecido que o paciente é um ‘cliente’ e que deve ser recebido de forma adequada e confortável. “Em um dos depoimentos obtidos, um dos médicos alegava que os bancos de madeira - desses como os bancos de praça, sem encosto - atendiam perfeitamente as necessidades dos pacientes do SUS, que chegavam de madrugada no ambulatório e ficavam o dia todo esperando as equipes para a realização dos exames”, lembra a autora.

O estudo ainda apontou a correção de outros itens, como excesso de ruídos, espaços pequenos demais e problemas de ventilação, mostrando que no desenvolvimento do projeto arquitetônico, a complexidade do diagnóstico médico faz com que temas normalmente amenos para os projetistas ganhem nova importância: “O sistema de iluminação, é um desses exemplos”, diz a lightning designer Neide Senzi, retomando a conversa.

“Se a iluminação não for adequada, pode interferir na qualidade dos diagnósticos, pois a visualização da cor da pele do paciente pode ser alterada se a luz for de baixa qualidade", comentou. Segundo a arquiteta um ambiente bem decorado e com comodidades que exploram até o lazer durante o tratamento contribuem para a recuperação do paciente. “O lado psicológico da internação está muito relacionado ao ambiente hospitalar, aos cuidados pessoais e com a atenção que o paciente recebe. A tecnologia sozinha, por mais formidável que seja, sem delicadeza, não produz bem-estar. E os gestores da área médica mostram sinais de que passaram a ter essa compreensão.”

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