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As cores

Um festival de brilho, cores e criatividade

Lembra quando para brincar o carnaval era suficiente uma fantasia costurada pela sua avó, um grupo de amigos e um refrão do tipo "Mamãe, eu quero!" pra sair pelas ruas? É, faz tempo... Hoje o carnaval envolve rios de dinheiro, publicidade, competição. As Escolas de Samba estão cada vez mais profissionalizadas e o que era folclore popular virou um grande negócio. Ainda assim, o espaço para a arte sobrevive: são artistas plásticos, pintores, músicos e compositores trabalhando meses a fio para apresentar no final de fevereiro suas escolas coloridas, belas e contagiantes.

Detalhe de carro alegórico da X-9E como criar a harmonia entre a imensa variedade de cores que compõe um desfile de carnaval sem se perder na mistura das cores? Para desvendar esta questão a equipe de reportagem do MundoCor falou com quem realmente entende do assunto: Joãosinho Trinta, o maior carnavalesco do Brasil. Comandando a equipe de arte da Escola de Samba Acadêmica do Grande Rio, em Caxias, Rio de Janeiro, o carnavalesco diz não haver segredo para harmonizar as cores num desfile. "A única regra chama-se bom gosto", afirma.

Joãosinho Trinta, carnavalesco da Grande RioPara Joãosinho Trinta, quem tem mau gosto nunca saberá combinar cores. Joãosinho só atenta para um detalhe: respeitar as cores da escola. Por isso, na Grande Rio, o verde, o vermelho e o branco merecem destaque sempre. Porém, esta determinação não restringe o uso de outras cores. "Existe a liberdade de usar toda gama de cores", fala Joãosinho. Tudo depende do enredo, da história que a Escola quer contar.

Quem também vai dar destaque para o vermelho, o verde e o branco é a X-9 Paulistana, localizada no bairro da Parada Inglesa, em São Paulo. Mas o carnavalesco da escola, Lucas Pinto, não acredita que haja algum tipo de regra na utilização das cores. "Não usamos no desfile só as cores da escola. Isso é coisa do passado", diz Lucas. Para ele, é importante que se sintonize a cor da Escola em alguns momentos para que ela não fique totalmente descaracterizada, mas diz não haver esta obrigatoriedade.

Lucas Pinto, carnavalesco da X-9O enredo da X-9 este ano, "Estive aqui e lembrei-me de você. Me leva, Brasil" fala de arte popular, de artesanato, de souvenires. O que, de acordo com Lucas, já é algo muito colorido pela própria miscigenação dos artesãos. "O Brasil é um país colorido: temos o negro, o branco, o índio e, a partir daí, as várias outras raças". É esta pluralidade étnica e cultural que vai estar relacionada o tempo todo com a variedade de cores que a escola apresentará. "O Brasil é uma colcha de retalhos de culturas", conclui o carnavalesco.

O fato de o enredo abranger todas as regiões do país também influenciou no colorido da escola este ano. A representatividade das cores vai estar atrelada ao clima de cada região. "O Nordeste é quente, o Sul é mais frio," o que determina, assim, a escolha das diferentes tonalidades. Lucas acredita que a harmonia das cores se aprende olhando para a natureza: "É meio que uma compilação do Criador".

Quanto à parte mais técnica da arte, Lucas diz só se preocupar com a textura das tintas. Nos carros alegóricos usam-se tintas acrílicas, vernizes e poliuretanos, tudo com textura de qualidade. Para ele, trabalhando com uma tinta mais grossa, tem-se um maior preenchimento, pois ela encorpa o material. O uso de tintas fluorescentes também contribui muito para um visual mais vibrante e chamativo. E o resultado final a gente confere pela telinha ou mesmo no sambódromo: um carnaval cheio de cores e muita vida!

Detalhe de carro alegórico da X-9

Veja também:

- A cor como elemento de expressão do Carnaval

- A assinatura emocional das cores

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