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As cores

As cores do Natal, da alegria
e da religiosidade

13/dez/02

Por Harlley Alves

Vivemos o clima de Natal e de um novo ano. É tempo de dias mais alegres. As mágoas e os ressentimentos ficam de lado e cada ser humano se volta à coletividade. Perto do Natal, o espírito de bondade humano fica mais evidente, mostrando, em meio a rostos ruborizados de alegria, as cores que fazem o Natal ser mais Natal do que já é.

Natal tem a ver com o "bom velhinho", o Papai Noel, em suas vestes vermelhas e brancas, trazendo o desejo de melhorias para o futuro e a esperança, representada no verde dos frutos e vegetações que decoram as casas e mesas.

Esse peculiar final de dezembro assinala que cada ser humano tem seu lado positivo. Em meio às luzes, lâmpadas e árvores decorativas, está chegando o bom e velho Natal, uma das épocas mais coloridas do ano inteiro. Brincar com a idade da festividade não é nenhum exagero, já que o Natal remonta uma miscelânea de tradições que antecedem o século IV depois de Cristo.

O próprio menino Jesus influenciou as cores reservadas para a época natalina. O consultor e pesquisador das cores João Carlos de Oliveira César constata que a cor verde já era usada por volta do ano 100 para representar a ressurreição de Cristo. Segundo ele, o verde peregrinou por todos esses anos representado o natal, por ser afim ao nascimento e fertilidade. João Carlos diz que, no campo da religiosidade, o vermelho, mesmo nos tempos antigos, sustentava a tradição natalina, "porque vermelho está ligado à igreja e representa o Fogo Pentecostal".

Ao que tudo indica, o Natal e suas cores fazem parte de um processo de aculturação, que é o repasse dos costumes de um povo para outros. O professor de artes gráficas Mário Carramillo, explica que a figura do Pai Natal foi levada a diversos países através dos contatos entre as nações. O Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, "um santo dos países nórdicos, trazido ao Brasil junto com as imigrações".

Com a influência da cultura de cada nação, a imagem do "Bom Velhinho" foi sofrendo algumas alterações. Segundo Mário Carramillo, "o verdadeiro São Nicolau é parecido mais com um bruxo, do que o Papai Noel como conhecemos. Ele usava um gorro pontudo, calça e botas de cano alto - todos pretos - e camisa azul".

A mudança do azul e preto, para o vermelho e branco contém algumas divergências. Alguns profissionais acreditam que o Papai Noel vermelho, semelhante a um elfo bonachão, surgiu por influência da Coca-Cola, em uma campanha publicitária de 1931.

Caramillo é um dos que acreditam na relação de Papai Noel com a publicidade: ele explica que em 1931, o ilustrador da Coca-Cola Haddon H. Sundblom desenvolveu o desenho atual, criando a figura internacional, tendo São Nicolau mais gordo, de gorro caído, nas cores vermelha e branca.

No site www.jipemania.com/coke/historia_do_natal_V2.pdf, o jornalista José Roitberg apresenta ilustrações de São Nicolau, com roupa vermelha e branca, antes de 1930, desvinculando o estereotipo como um trabalho do marketing da Coca-cola, mas marcando que a roupa vermelha já existia, tendo como influência um poema.

O designer gráfico Nelson Bavaresco diz que, contradições à parte, vermelho, branco e verde são marcas registradas do Natal, seja essa uma tradição imposta ou não. "Os acordes verde, branco e vermelho produzem a harmonia característica a essa época do ano, porque são cores complementares e concordantes. Já o branco melhora a harmonia entre elas, não produzindo interferências".

A festividade assumiu sua face comercial de 1900 para cá. Nelson lembra que a década de 30 foi uma época de reconstrução das coisas, por isso a nova tonalidade do Papai Noel. "Os americanos precisavam ter símbolos positivos que ativassem o comércio. Temos de considerar o momento que a sociedade americana passava. Houve a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque e eles se armaram com cores de contraste, que, contudo, são equilibradas, ganhando a simpatia do público".

"Que o Natal e suas cores são um conceito importado, não há duvidas. O vermelho é uma cor que contrasta com a neve e o inverno dos norte-americanos e europeus. A própria tradição do verde vem de folhas e frutos que não temos no Brasil".

Com comércio ou sem, vida longa ao espírito natalino, sempre colorido por alegria e muita paz.

Veja também:

- As luzes que brilham mais e dão novo colorido às cidades nessa época do ano

- A assinatura emocional das cores

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