18/fev/10
* Por Nelson Bavaresco
Segundo Johannes Itten, pintor, professor e ensaísta místico, uma das figuras mais importantes da primeira fase da Bauhaus, existem sete contrastes de cor. Por contraste, Itten generalizou os principais atributos das cores em: matiz, luminosidade, saturação, complementaridade, temperatura, simultaneidade, efeito de peso e distanciamento.
Os três primeiros definem uma cor qualquer, segundo um sistema tridimensional de cores, uma das poucas maneiras de fixarmos um padrão de cor ou uma amostra standard de cor.
São, portanto, “contrastes físicos” da cor e podem ser traduzidos por equações matemáticas. Os demais são de sentido psicológico. Certas cores causam em nós sensações de calor ou frio, de aproximação ou distanciamento, de maior acentuação cromática ou mesmo de modificação, dependendo do seu entorno (simultaneidade). Como também disse Josef Albers, um outro mestre da Bauhaus, a cor está em constante modificação.
Mas é só isso? Evidentemente que não. Sempre há mais e mais coisas a respeito da cor, uma sensação que só existe em nossa mente. A cor é sempre virtual no site do nosso cérebro e depende daquilo que aprendemos em nossa infância e, provavelmente, até mesmo antes do nascimento. Assim, a cor está em nós e a descrevemos pelo poder da linguagem.
Apenas para suscitar outras mentes, vamos falar um pouco daquilo que chamo de “Oitavo Contraste”, isto é, o gosto da cor. Meu interesse sobre essa área surgiu quando descobri, num sebo de São Paulo, o livro “A cor do gosto”, de autoria do médico brasileiro Octacílio de Carvalho Lopes, editado pela Anhanguera, em 1959.
Um livro muito bem escrito quanto às descrições da cor. Entretanto, faltou metodologia na extensa pesquisa que Lopes realizou por muitos anos. Ele pedia aos amigos, colegas e clientes para anotarem suas opiniões sobre o gosto das cores, mas sem uma planilha e uma escala de cores.
Por mais que tabulemos seus resultados, é difícil alguma conclusão coerente, tantas são as associações entre as cores e os sabores. Por exemplo: sabemos que o branco tanto pode ser doce, associado ao açúcar, ou salgado, associado ao sal. Assim, estabelecer um método de pesquisa para essa área do gosto não é nada fácil. De qualquer forma, foi um trabalho pioneiro em sua época. E isto no Brasil!
Estudando outros autores, eu acabei chegando a um esquema bastante simples: cores quentes são mais “comestíveis” enquanto as cores frias são bem menos. Segundo diversos autores, incluindo Goethe e Itten, o azul é a cor menos “comestível” do leque de cores básicas.
Mas isso pode sofrer muitas variações, principalmente culturais. Preto não é uma cor comestível, mas na cultura do Brasil, temos a nossa famosa feijoada. Na Itália e Espanha há o famoso arroz “sul tinta” pretejado pela tinta da lula. Por outro lado, é certo que cores quentes, como o alaranjado provocam maior apetência, sendo indicadas para refeitórios, enquanto esquemas azuis seriam apropriados para spas, onde a perda de peso é um dos objetivos dos programas nesse tipo de estabelecimento.
No Cecor adotamos quatro acordes para os gostos das cores. E atribuímos valores conceituais entre mais, mais mais, mais menos e menos menos, como na figura abaixo.

Estamos certos que temos com isso uma aproximação especulativa quanto aos efeitos desse oitavo contraste, como um gráfico de orientação quanto à escolha de cores relacionadas ao estado de apetência ou da falta dele.
* Nelson Bavaresco - designer gráfico e pesquisador. Ministra cursos e treinamentos sobre Teoria e História das Cores – Linguagem e Significado da Cores - Harmonia e Mistura de Cores. É autor do Sistema de Cores Cecor. Mais detalhes no site: www.sistemacecor.com.br.
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