22/jun/04
Esta
é bonita, aquela é feia. Embora sejam muito mais que uma
combinação de cores e formas, é assim que costumamos
nos referir às cidades, seja a em que vivemos ou aquela para
a qual fomos de férias ou a que eventualmente conhecemos de passagem,
mas cuja imagem ficou registrada em nossa memória.
Diferentemente
de Brasília, a nossa capital federal, ou Palmas, a capital do
estado de Tocantins, a maioria das cidades não nasceu a partir
de um planejamento formal. As origens são as mais diversas, por
exemplo, a proximidade de um rio navegável, uma estrada de ferro,
um entroncamento rodoviário ou mesmo a construção
de uma grande obra que motivou a maior concentração populacional.
Tem sido assim ao longo da história.
Uma
cidade é um complexo demográfico literalmente vivo, social
e economicamente, pelo seu caráter mercantil, industrial, financeiro
e cultural. Por isso mesmo, de acordo com Nadia Somekh, presidente da
Emurb - Empresa Municipal de Urbanização, entidade responsável
pelo planejamento urbano de São Paulo, a manifestação
mais correta sobre uma cidade, ao invés de bonita ou feia, seria
gostar ou não gostar dela, levando em conta os atributos que
desperta em nós, objetiva e subjetivamente.
A
melhoria da qualidade de vida é uma das principais metas do gestor
público responsável e também a aspiração
das pessoas que escolhem uma determinada cidade para habitar. Todos
esperam encontrar nela as condições ideais de moradia,
trabalho, educação, lazer e progresso pessoal.
É
a satisfação de todos esses requisitos que vai indicar
se gostamos ou não do local onde vivemos, mas também se
ele é bonito ou feio, de acordo com um ponto de vista particular,
da mesma forma como nos referimos à nossa casa. A construção
de uma moradia pode não envolver considerações
artísticas, mas para a maioria de nós, além de
atender a necessidade de abrigo, ela deveria ser bonita, com cores harmoniosas
e motivo de orgulho para ser vivida, apreciada e mostrada.
No
caso do Brasil, a questão urbana é muito mais ampla e
extrapola o campo das cores e formas. As cidades brasileiras abrigavam,
há menos de um século, 10% da população
nacional. Agora abrigam 82% e acumulam déficits gigantescos de
moradia, de abastecimento de água tratada, de coleta de esgoto
e de lixo, de transporte público, em prejuízo especialmente
das populações de renda mais modesta, de maneira que o
aspecto visual fica para um segundo, terceiro ou um enésimo plano
ainda mais distante.
Segundo
Raquel Rolnik, secretária nacional de Programas Urbanos, órgão
do Ministério das Cidades, o desafio é planejar o futuro
das cidades, estabelecendo um compromisso entre governos e cidadãos
e o desenvolvimento ambientalmente equilibrado, de forma humanizada
e organizada dentro do espaço urbano. Para Raquel, esse desafio
necessita de um compromisso entre sociedade e governos, com muita dedicação
e criatividade na elaboração de Planos Diretores que incluam
todos os cidadãos.
De
acordo com a Lei 10.257/01, mais conhecida como Estatuto das Cidades,
os municípios com mais de 20 mil habitantes têm até
outubro de 2006 para elaborar ou atualizar seus planos diretores. Também
terão que se adequar a essa lei aqueles municípios que
fazem parte de regiões metropolitanas ou aglomerados urbanos,
os que vão acolher algum empreendimento de impacto ambiental,
os que são turísticos e os que montaram seus planos diretores
há mais de 10 anos.
O
estatuto também estabelece que essa elaboração
deve contar com a participação da sociedade em todas as
etapas. A estimativa é que mais de dois mil municípios
terão que atender a determinação do estatuto, sob
pena de os prefeitos ficarem sujeitos à improbidade administrativa,
nos termos da Lei nº 8.429, de junho de 1992.
Experiência
paulistana
Antecipando-se
às idéias de uma gestão mais participativa e democrática,
a prefeitura de São Paulo instituiu em novembro de 2003 o Fórum
de Desenvolvimento Social e Econômico do Centro de São
Paulo e a Coordenação Executiva Ação Centro,
que reúne representantes do poder público municipal e
de entidades não governamentais para implementar projetos visando
o desenvolvimento econômico e social sustentável do Centro.
O
Fórum atua como canal de participação dos cidadãos
na discussão de diretrizes gerais e propõe prioridades
estratégicas para a elaboração de planos de ação.
Apóia também programas, projetos e ações
públicas ou privadas norteados pelo mesmo objetivo. O organismo
procura envolver os agentes públicos, privados e comunitários
na construção de uma perspectiva comum, com suporte, além
de articulá-los no desenvolvimento de programas, projetos e ações,
bem como referendar as estratégias participativas propostas.
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