Mais
que a mercadoria em si, muitas vezes é a embalagem que nos
influencia a comprar, aliás, como diz o ditado, a primeira imagem
é a que fica. O que vemos primeiro geralmente é a "roupa do
produto" e em muitos casos sua influência é considerável
na decisão de compra.
É
inegável que o tipo de material usado na embalagem, sua combinação
de cores e seu design muitas vezes nos impulsionam a preferir uma
marca a outra.
Nada
disto é por acaso. Antes de chegar às prateleiras, a grande
parte dos produtos passa por amplo projeto de design, na procura
de um modelo mais apropriado para atingir determinado público e
transmitir da forma mais fiel o conteúdo da embalagem. "A
cor é o sorriso da embalagem", diz Nelson Bavaresco,
designer gráfico, artista plástico e pesquisador da cor.
De
acordo com Bavaresco, existe uma expectativa do consumidor com
relação a embalagem, que é o primeiro contato do consumidor com
o produto, antes mesmo de ele ler. Portanto, deve haver uma
correspondência entre o que se vê e o que está contido na
embalagem. "A embalagem contém informações que entram pelo
inconsciente", afirma Bavaresco.
Assim,
o bom resultado de uma embalagem frente ao seu público depende
principalmente das combinações das cores. "Existe uma questão
de complementação", explica o designer. A cor predominante,
as cores subordinadas e a cor tônica devem estar adequadamente
ajustadas ao produto. "As cores complementares resultam em
contrastes fortes, o que é mais harmonioso", explica.
Para
que a embalagem atinja seus objetivos frente a seus consumidores,
deve ser feito um projeto, a chamada fase do layout,
o que nem sempre acaba por definir o tipo de embalagem a ser escolhida. Aí então,
como indica Bavaresco, é hora de encomendar uma análise cromática,
que vai avaliar a harmonia das cores da embalagem.
Em
um círculo cromático, a combinação de cores complementares não
é considerada a mais harmoniosa, e sim a de determinada cor com
aquela que está ao lado da sua complementar.
Bavaresco
lembra, porém, que existem dois tipos de harmonias: as consoantes
e as dissonantes. "O produto pode querer ser distinguido pelo crash, por aquilo que
choca, combinando cores aparentemente destoantes, como azul e
vermelho", observa o designer e completa: "É bom
conhecer a harmonia cromática e suas regras básicas. Mas não
existe uma harmonia melhor que a outra, e sim uma harmonia mais
adequada para determinada finalidade."
O
que também pode acontecer é a embalagem não ter seu design
baseado em explicações lógicas. "Questões históricas,
culturais ou de hábito também podem determinar seu design",
lembra Bavaresco. "Teríamos que estudar para entender o por
quê de certas tendências", completa.
Um
bom exemplo histórico que marca esta questão está nas
embalagens de macarrão. Antigamente, como conta Bavaresco, o
macarrão era vendido enrolado em um papel azul anil, que o
protegia dos raios ultra-violeta. Provavelmente, a cor do papel
fora escolhida sem algum embasamento lógico. Hoje, o que podemos
observar é que a cor azul ainda está presente nas embalagens de
macarrão, mesmo sem esta cor ser indicada para embalagens de
alimentos.
Hoje,
mesmo trabalhando de forma menos intuitiva, "os designers
ainda têm muito pouco conhecimento sobre a harmonia cromática",
afirma Bavaresco. "Claro que devemos trabalhar com a nossa
sensibilidade, mas, estudando, o profissional passa a ter esta
sintonia fina, podendo melhorar um esquema que ele havia feito
intuitivamente."
A
cor é mesmo fundamental para fixação de qualquer produto no
mercado frente a seu público. Afinal, "quando se consegue
uma cor que tem uma certa identidade com a marca, esta cor acaba
virando uma espécie de marca também, porque o consumidor se
identifica com ela", finaliza Bavaresco.
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