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As cores

Os tons que fazem a diferença
na decoração

A violência nos grandes centros urbanos levou as pessoas a se voltarem para seus lares e, portanto, tornou-se novamente um hábito receber convidados em casa. Em vista disso, a preocupação com o conforto no interior das residências aumentou e isso se reflete na hora de decorar um ambiente, ao se escolher as cores e os tipos da pintura e os acessórios a serem utilizados.

Decorar uma casa custa caro, mas é possível reciclar o ambiente somente pintando suas paredes. Valéria Oliveira Sicolin, designer de interiores e paisagista, diz que quando seus clientes não querem gastar muito dinheiro, "a primeira coisa que você vai pensar é nas tintas, no trabalho do pintor". Valéria trabalha há três anos com a sócia Márcia Longo, que foi sua colega no curso de design de interiores da FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado - em São Paulo.

Valéria Oliveira SicolinAs designers costumam usar um recurso que está em alta, a texturização, para dar um acabamento mais original à pintura. Esse trabalho é feito na preparação da massa da alvenaria. A textura ideal da tinta a ser usada, no entanto, depende de seu fabricante.

Nos anos 80, a tendência era o monocromatismo no interior das residências. Atualmente, o uso das cores vêm sendo explorado, mas mesmo assim, Valéria e Márcia afirmam que é preciso dosar as cores fortes nas áreas íntimas da casa, para que elas não atrapalhem a aparência de tranqüilidade que esses compartimentos devem passar.

Márcia LongoDe qualquer maneira, o uso total do branco não é recomendado por ser um elemento estressante. Mesmo nos quartos de hospitais, as cores pastéis são as mais utilizadas hoje, sendo vistas como calmantes.

Nas áreas sociais da casa, como as salas de estar e jantar, é possível jogar com as cores fortes de uma maneira lúdica, mas com a preocupação de manter a harmonia do lugar. A cozinha, por ser um local associado à higiene, costuma ter cores claras, ousando-se mais nas cores dos acessórios. As designers afirmam que a personalidade do dono da casa conta muito na hora de escolher as cores que vão ser usadas em seu interior.

Decoração antes e depois"A cor também tem a função de aproximar ou afastar", diz Márcia. É possível criar uma ilusão de ótica, aumentando ou diminuindo um ambiente a partir dos tons usados nas suas paredes. O uso da cor escura no alto de uma parede dá a impressão de diminuir seu pé-direito. No entanto, ao se jogar a cor escura na sua parte inferior, o resultado é um aparente aumento da altura do compartimento. Além disso, para que o cômodo pareça maior, é recomendado pintá-lo de uma cor clara. "Você não pode invadir o apartamento do vizinho, mas pode trabalhar o ambiente", diz Valéria.

Segundo Valéria e Márcia, há cada vez menos a preocupação com a moda na decoração. Devido a seu caráter passageiro, a moda vem sendo usada somente na escolha dos acessórios ou em alguns toques. É notável, no entanto, a tendência à volta para as cores da natureza. As ex-alunas da FAAP acreditam que esse fenômeno tem a função de amenizar o caráter "prateado" associado ao largo uso da tecnologia neste novo milênio.

Decoração antes e depois

Valéria Oliveira Sicolin: valeriaos@uol.com.br
Márcia Longo: marcialongo@uol.com.br

Veja também:

- A cor como informação

- A assinatura emocional das cores

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