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As cores

A cor como elemento
de expressão do Carnaval

27/fev/03

Maior espetáculo do planeta. Exageros à parte, é assim que é conhecido o Carnaval brasileiro, que tem nessa festa popular, de norte a sul e de leste a oeste do país, uma das maiores manifestações da criatividade, alegria e descontração de nosso povo.

O Carnaval não nasceu no Brasil, mas encontrou aqui as condições ideais para sua exaltação. O evento é a maior manifestação de cultura popular, ao lado do futebol. É um misto de folguedo, festa e espetáculo teatral, que envolve arte e folclore. Na sua origem, surge basicamente como uma festa de rua.

A forma de comemorar pode variar de região para região - através das escolas de samba no Rio de Janeiro, São Paulo e em outras cidades, dos trios elétricos na Bahia, do frevo de rua em Pernambuco - mas, em todas as manifestações, um elemento comum se faz presente com um detalhamento minucioso: a cor.

Raul DinizPara o carnavalesco da Escola de Samba Rosas de Ouro, de São Paulo, Raul Diniz, não dá para imaginar o Carnaval sem o colorido de suas alegorias. Ele explica que a cor é um assunto tão sério para as escolas de samba que a sua identidade começa pela definição das cores com que as agremiações são conhecidas: verde e rosa, da Mangueira; verde e branco, da Imperatriz Leopoldinense; preto e branco, da Gaviões da Fiel; rosa, azul e branco, da Rosas de Ouro, e assim por diante.

Diniz observa que até há pouco tempo o planejamento visual dos desfiles das escolas de samba era rigoroso e, além das cores oficiais das escolas nas alegorias para os desfiles na avenida, somente permitia a utilização do prata e do ouro, tonalidades consideradas neutras.

Outro fato que dá a idéia da importância da cor num desfile de Carnaval, segundo o carnavalesco da Rosas de Ouro, é que a escolha do tema e o planejamento visual do desfile ocorrem muito antes da realização de concursos para a escolha da música que vai enriquecer o enredo.

Diniz, que diz ter o maior número de vitórias no Carnaval paulista, informa que costuma apresentar projetos detalhados para a diretoria da escola de samba e para seus componentes, explicando com minúcias a sua criação. "Se o pessoal não comprar a idéia, não há como levá-la adiante", assinala Diniz.

O carnavalesco explica que o pessoal mais simples das escolas de samba é que acaba sendo mais rigoroso quanto aos aspectos visuais das fantasias, alegorias e adereços. Segundo ele, as pessoas de uma categoria mais elevada, de uma maneira geral, participam dos desfiles por diversão, enquanto a base das escolas quer aparecer bonita e elegante na passarela.

Laboratório de cores

Raul Diniz também considera o Carnaval um laboratório de cores e de produtos que lhe dão forma. Embora o Carnaval tenha evoluído e muitas escolas atuem quase como empresas, segundo ele a maioria delas trabalha com recursos reduzidos e o pessoal, que é a razão dessas entidades, não pode suportar os custos de projetos dispendiosos.

O caminho seguido então é trabalhar com material alternativo e sobras industriais que permitam materializar, com todo o seu colorido, o tema a ser levado para a passarela.

Arlequins, Pierrôs e Colombinas: o Carnaval começou com eles

A origem do Carnaval vem de uma manifestação popular anterior à era Cristã, tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias - festa em homenagem a Saturno. As divindades da mitologia greco-romana Baco e Momo dividiam as honras nos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro.

Durante as comemorações em Roma, acontecia uma aparente quebra de hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos misturavam-se em praça pública. Com a expansão do Império Romano, as festas tornaram-se mais animadas e freqüentes. Na época ocorriam verdadeiros bacanais.

No início da era Cristã começaram a surgir os primeiros sinais de censura aos festejos mundanos, na medida em que a Igreja Católica se solidificava. Querendo impor uma política de austeridade, a igreja determinava que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma.

Desde os primeiros tempos, Pierrô, Arlequim e Colombina são personagens centrais do Carnaval. Os trajes multicoloridos destas figuras deram origem às fantasias contemporâneas e são um dos ingredientes da alegria dessa festa popular. Conheça, a seguir, um pouco desses personagens.

Arlequim: personagem da antiga comédia italiana (commedia dell'arte) de traje multicolor, feito em geral de losangos, que tinha a função de divertir o público nos intervalos, com chistes e bufonadas. Foi posteriormente incorporado como um dos personagens nas peripécias das comédias, transformando-se numa de suas mais importantes personagens. Amante da Colombina. Farsante, truão, fanfarrão, brigão, amante, cínico.

Colombina: principal personagem feminina da commedia dell'arte, amante do Arlequim e companheira do Pierrô. Namoradeira, alegre, fútil, bela, esperta, sedutora e volúvel. Vestia-se de seda ou cetim branco, saia curta e usava um bonezinho.

Pierrô: Personagem também originário da commédia dell'arte, ingênuo e sentimental. Usava como indumentária calça e casaco muito amplos, ornada com pompons e de grande gola franzida.

Veja também:

- Um festival de brilho, cores e criatividade

- As cores da harmonia e do relaxamento em contraponto à folia do Carnaval

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