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As
cores |
A cor como promotor de conforto nos ambientes de saúde |
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*Por Fábio Bitencourt
O desenho do espaço, os elementos funcionais e estéticos, o tratamento paisagístico, o uso das cores e, naturalmente, os aspectos vinculados ao conforto ambiental assumem um papel fundamental na aproximação entre o serviço e o cliente e no acolhimento proposto por diversos especialistas em saúde. A utilização de referências cromáticas no tratamento da ambientação de todos os espaços dos edifícios de saúde é, atualmente, uma prática incontestável. Está vencido o preconceito para utilização de pintura de cores diversas até mesmo em áreas críticas: um centro cirúrgico com janelas entre as salas e para o exterior, uma unidade de terapia intensiva igualmente tratada e com visualização das condições climáticas externas trazem o convencimento de que o ambiente hospitalar pode ser menos austero e manter a formalidade dos seus procedimentos e funções.
A sensação de conforto não é uma percepção facilmente detectável, mas percebe-se com bastante clareza a existência de um clima desconfortável, quanto mais distância exista entre ambos. Essa sensação é dependente dos mesmos fatores climáticos que influenciam, entre outros aspectos, as trocas de calor. No caso dos edifícios de assistência à saúde, onde é freqüente a ocorrência de situações críticas e estressantes, envolvendo relações interpessoais e indivíduos com algum grau de sofrimento físico e/ou psíquico, os fatores ambientais que definem as condições de conforto assumem responsabilidade significativa durante o desenvolvimento do projeto arquitetônico. Conforto dos ambientes de saúde
Há sempre um grande desafio para os profissionais das diversas áreas que se propõem a debater ou buscar soluções para o planejamento e aplicação do conforto ambiental, particularmente nos ambientes de saúde. Encontrar o equilíbrio entre as diversas legislações edilícias - que regulamentam os procedimentos da construção civil - e da prática médica, evitando-se resolver alguns problemas através da criação seqüencial de novos problemas, a ponto de os malefícios de alguns criarem dificuldades ou mesmo anularem os benefícios de outros. Encontrar a base do equilíbrio, eis o grande desafio. Desse modo, para estabelecer a qualidade do ambiente construído, há que se considerar desde o impacto da implantação da edificação no terreno em função das condições de ventilação natural e da orientação solar; ao desenho e arranjo do mobiliário e a sua correspondente contribuição ergonômica, ou até mesmo as conseqüências da aplicação dos estudos cromáticos entre os elementos que melhor possam representar os conceitos de conforto, segurança e bem-estar. COMUNICAÇÃO VISUAL – Os elementos gráficos e pictóricos de comunicação visual devem apresentar as condições de clareza de leitura, precisão, objetividade, dimensões razoáveis e compatibilidade ao ambiente onde esteja inserido e que permitam a percepção a uma distância proporcional sem, no entanto, interferir na harmonia do espaço arquitetônico circundante. Outro aspecto significativo refere-se à facilidade de intercambialidade que os elementos de sinalização devem apresentar, com o mínimo de tempo e despesa e compatibilizados com as informações de atividade, função, pessoas e horários.
ILUMINAÇÃO NATURAL E ARTIFICIAL - Além da função de visibilidade que a iluminação tem em princípio, a elaboração do projeto de luminotécnica e arquitetônico do ambiente de saúde deve contemplar também o estudo do impacto dos efeitos bactericidas, biológicos e psicológicos da luz sobre o seu usuário. Há que se considerar ainda as características específicas das atividades funcionais, dos equipamentos biomédicos e as suas respectivas e correspondentes demandas de luminosidade. Não se pode negar que a arquitetura dos ambientes de saúde compreende mais que uma atividade funcional, caracterizada pela contribuição e responsabilidade social que a própria função comporta. Numa pesquisa realizada no Hospital de Yale – New Haven/USA, foi perguntado aos pacientes o que mais lhe agradava no hospital em que estavam internados. A resposta, com pequenas variações, fora quase unânime: “as janelas”. A observação do exterior, da dinâmica da vida urbana que lhes era permitido visualizar, além das condições naturais da chuva, do vento, das modificações do desenho das nuvens, foram os aspectos mais relevantes e destacados. Essa é uma das preocupações que deve nortear o processo produtivo da elaboração do projeto arquitetônico, particularmente para o edifício que visa abrigar funções de atenção à saúde, o exato entendimento de que a construção destina-se a uma arquitetura humana e que conseqüentemente deve respeitar as suas expectativas. A sua consolidação far-se-á com a ocupação produtiva dos diversos atores que a compõem – clientes, visitantes e profissionais de saúde. Não há um projeto estandardizado, padronizado, replicável indiferentemente e sob as diversas condições ambientais, o próprio meio ambiente se encarregará de negá-lo. A tipologia da arquitetura representará a leitura de informações epidemiológicas e culturais, muito mais que informações técnicas de materiais de construção ou práticas construtivas de per si. *Fábio Bittencourt – arquiteto, doutorando em Arquitetura, mestre em Ciências da Arquitetura, especialista em Urbanismo, professor de Arquitetura Hospitalar, Conforto Ambiental, Ergonomia e de Administração e Conforto em Ambientes de Saúde (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Estácio de Sá), Vice-Presidente de Desenvolvimento Técnico Científico da ABDEH – Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar - e-mail: f.bit@casashopping.com.br
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