Por
Harlley Alves
A
manipulação das cores foi altamente influenciada pelas
descobertas do comportamento da luz. Aliás, sem luz não
há manifestação da cor. Da Grécia Antiga
até os tempos contemporâneos, a luz é fonte de estudo
de cientistas, pesquisadores e artistas que, através dos estudos
científicos, deram vazão ao que hoje se entende por Teoria
da Cor.
Essa
teoria pode ser entendida como o conjunto de conhecimentos relacionados
à luz, aos corpos transmissores e refletores e ao observador.
A associação desses três fatores resulta na organização,
percepção e reprodução das cores. Daí
a importância da luz, tanto para a existência das cores,
quanto para a manipulação das mesmas.
No
decorrer da História, cientistas de todas as épocas procuraram
entender como se dá a estrutura da luz e seu comportamento, tendo
entre seus objetos de estudos o espectro da energia eletromagnética
e o espectro cromático em particular, formado pelas sete cores
visíveis.
Opticks
Em
1704, o físico e matemático inglês Isaac Newton
(1642-1727) apresentou em sua obra um questionamento-chave para a relação
luz e cor. Trata-se da passagem do raio de luz branca por um prisma,
revelando o espectro cromático que, por sua vez, ao atingir um
novo prisma, retorna a luz branca original.
Já
a percepção e o significado das cores foram o alvo de
20 anos de trabalhos e pesquisas do escritor e poeta Johann Wofgang
von Goethe (1749-1832), que em sua "Doutrina das Cores", de
1810, ressalta o sentido estético, moral e filosófico,
defendendo as funções fisiológicas e os efeitos
psicológicos das cores. Goethe opunha-se ao sentido metódico
e matemático da óptica newtoniana, fato polêmico
com os simpatizantes dos trabalhos de Newton, porque foi enfaticamente
contrário às teorias dele.
Caso
curioso no que se refere às pesquisas de cores e da luz é
o da Teoria Tricromática do físico e lingüista Thomas
Young (1773-1829). Young acreditava que para enxergar todas as cores
era necessária a ação de três cores apenas.
Ele percebeu que a luz afetava a visão humana, apenas em três
faixas de luz, separadas em ondas curtas (anil), ondas médias
(verde) e ondas longas (vermelho). Contudo sua descoberta foi pouco
valorizada, sendo ofuscada pela ascensão da Teoria Corpuscular
de Newton.
Cinqüenta
anos depois, o também físico e inglês James Clerk
Maxwell (1831-1839) descobre que a luz se encontrava, na verdade, na
faixa do espectro da energia eletromagnética vindas do espaço.
Ele demonstrou a existência do espectro, retomando as afirmações
de seu compatriota, Young, sobre a existência de três cores
primárias. É a partir desse momento que as cores se estabelecem
como uma sensação, decorrentes da energia eletromagnética
detectada pelo olho.
Quem
também retomou as pesquisas de Young foi o fisiologista e físico
alemão Herman L.F. von Helmholtz (1821-1894). Helmholtz conseguiu
medir os impulsos nervosos, confirmando as teorias de Thomas Young -
que passou a ser chamada de teoria Young/Helmholtz -, sobre a percepção
de três receptores sensíveis à luz (os cones), que
reagem ao vermelho, azul e verde, gerando, desse sistema, a visão
das demais tonalidades.
Para
o vice-presidente da Associação Brasileira da Cor, Nelson
Bavaresco, a física da cor foi criada por Newton e sua psicologia,
por Goethe. Bavaresco diz que a percepção das cores é
um processo psicofisiológico, determinadas no cérebro
como sensação visiva. "A percepção
das cores é causada por um conjunto intercalado de fenômenos
externos e internos, próprios do observador, afetando sensações
conhecidas como "sinestesias", ao trazer influências
físicas de comportamento e de atitudes".
O
estudioso da cor aborda o assunto em seu curso de "Programação
Visual em Cores", ministrado anualmente. Bavaresco explica o surgimento
e como foram concluídas as pesquisas sobre a luz, o espectro
da energia eletromagnética e o espectro cromático.
No
workshop, Bavaresco expõe as características estruturais
das cores, como matiz, luminosidade e saturação e também
o que é a síntese aditiva, realizada com as cores-luz
verde, anil e vermelho, e sua diferença com a síntese
subtrativa, composta pelas cores-pigmento (magenta, ciano e amarelo).
Para
o vice-presidente da ABCor, a visão corresponde a 83% da percepção
das sensações, onde a cor se sobressai aos outros sentidos.
"No desenvolvimento da linguagem, a cor permitiu que o homem se
expressasse, utilizando-a no decorrer da história, para representar
seus sentimentos", diz ele.
Os
próximos workshops tratarão sobre A Linguagem e Significados
das Cores e a Harmonia Cromática.
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