A
percepção da cor em tudo que chega aos nossos olhos requer
pouco raciocínio, mas o entendimento de como ela é formada,
quantificada e avaliada exige uma observação mais aprofundada.
A cor é um fenômeno químico-físico, resultado
de reações moleculares que, quando excitadas eletricamente,
geram radiações. Portanto, não é possível
falar em cor sem a existência da luz.
O
assunto foi tema da palestra do consultor em colorimetria Marcos Quindici,
feita na reunião mensal de janeiro da Associação
Pró-Cor do Brasil, entidade que está se formando com a
participação de profissionais de diversos setores, designers,
pesquisadores e artistas plásticos para desenvolver estudos e
difundir conhecimentos sobre a cor.
Na
palestra, Marcos Quindici lembrou que, muito embora convencionalmente
algumas cores, como as dos sinais de trânsito, representem a mesma
coisa em todos os países, a cor tem significados diferentes em
diversas culturas, às vezes completamente opostos. Por exemplo,
enquanto entre os brasileiros a cor relacionada ao luto seja o preto,
no Japão é o branco.
A
percepção e os significados podem ser subjetivos, mas
a avaliação da cor tem que ser objetiva, principalmente
no momento atual. As transações de produtos e serviços
se dão em um mundo globalizado e é preciso haver o mesmo
referencial para a compreensão de todos aqueles que integram
o processo.
A
avaliação mais eficiente da cor só é possível
com a ajuda de instrumentos como espectrômetros e densitômetros,
mesmo porque o ser humano não tem memória de cor, recorrendo
sempre a analogias como o verde da bandeira, o vermelho do tomate ou
o azul do céu para seu melhor entendimento.
Essa
inexistência de memória para cor ocorre não por
falta de sensores, pois os seres humanos têm cerca de 700 milhões
para perceber as informações que chegam até eles,
sendo que cerca de 400 milhões de sensores encontram-se nos olhos
e os 300 milhões no cérebro.
Como
já foi dito, não podemos enxergar a cor sem a luz. A cor
é uma condição da matéria que pode ser distinguida
com a incidência da luz sobre ela. As características da
luz, que podem ser medidas em graus Kelvin (K), afetam a percepção
da cor dos objetos.
Uma
pessoa iluminada com uma luz incandescente (tungstênio) com temperatura
de cor com 2800 K amarelada (Iluminante A) parece mais pálida
do que se fosse iluminada com lâmpada fluorescente 4000 K azulada
(Iluminante CWF ou F), ou na luz do dia tipo D65 azulada (6500 K), que
são consideradas como tipos de luzes mais quentes. Para termos
como parâmetro, um dia de sol no verão com o céu
completamente azul ao meio dia, sem nuvens, tem em torno de 25000 K.
A luz de uma vela tem uma temperatura de cor aproximada de 1500 K, uma
lâmpada de tungstênio 3200 K, fluorescente 4000.

Usa-se
o termo temperatura de cor para medir os diversos tipos de luz. O conceito
foi formulado, tomando-se o exemplo de uma barra de ferro aquecida que
assume uma variada escala de cores conforme o aumento da temperatura
a que é submetida. Por exemplo, ao aquecermos a barra de ferro
ela apresenta uma mudança na coloração que vai
do vinho, continuando o aquecimento passa para o vermelho, prosseguindo
para o laranja até chegar ao amarelo e finalmente antes de entrar
em estado de fusão assumindo a coloração branca.
Para
que possamos avaliar as cores temos que dar atenção às
interações causadas pelas fontes de iluminação
ao compararmos as cores dos objetos, de dois ou mais corpos.
Um
fato a se considerar é a habilidade do ser humano para detectar
cores. O daltonismo (incapacidade para diferenciar cores, principalmente
o verde e o vermelho) é uma deficiência mais dos homens,
pois quase não existem mulheres daltônicas. A acuidade
visual, bem como a condição de daltonismo, podem e devem
ser avaliadas nos profissionais que trabalham com as cores.
Quindici
observa que ao longo de sua carreira profissional já identificou
vários profissionais de cores e colorimetria que possuíam
este tipo de problema, embora trabalhassem diretamente no processo de
formulação, tingimento e ou aprovação das
cores.
Durante
sua palestra, Quindici lembrou que as cores são tridimencionais
e possuem os seguintes atributos a serem comparados:
1)
Luminosidade - 2) Saturação – 3) Tonalidade
Para
fazermos uma avaliação mais criteriosa, temos que comparar
as cores com o uso de um espectrofotômetro. Existem vários
tipos de equações utilizadas para determinarmos a diferença
colorimétrica, embora o modelo geométrico todo é
baseado no CIELAB. Quindici observou que existem hoje equações
que produzem resultados nas medições que são mais
compatíveis com a avaliação visual como é
o caso do CMC, uma derivação do CIELAB.
Estes
e outros tópicos fazem parte do treinamento desenvolvido por
Marcos Quindici e já aplicado a mais de 4500 profissionais dos
mais diversos segmentos produtivos. Contatos com o profissional podem
ser feitos através do e-mail: mquindici@uol.com.br
e na Associação Pró-Cor do Brasil, e-mail procor@procor.com.br.
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