09/jun/04
A
pintura corporal é a expressão literalmente viva da união
das artes plásticas com a anatomia humana, onde uma e outra se
integram para retratar o belo. A arte ainda é pouco difundida
no Brasil, mas é forte em países como a Austrália,
a Alemanha e a França, onde, aliás, existe um concurso
muito valorizado pelos artistas que se dedicam a essa pintura.
Na
opinião do artista plástico paulista Beto França,
a pintura corporal, também chamada de maquiagem artística
(ou body painting, em inglês), transforma cada parte do corpo
em um elemento da obra, cujo resultado é a beleza do todo.
Beto
França é um artista que fez o caminho das artes plásticas
para a maquiagem artística. Quando criança gostava de
desenho, fez escola para aperfeiçoar os traços e depois
foi cursar a faculdade de Belas Artes. Como hobby, gostava de teatro
e procurou conhecer todas as tarefas dessa arte, acabando por dedicar
muita atenção para a maquiagem dos atores para criação
de personagens, uma atividade que o conduziu para o principal foco de
sua arte atualmente.
O
artista explica que a maquiagem artística é diferente
da maquiagem de caracterização (teatro, cinema ou TV)
principalmente porque a preocupação não é
de transformar uma pessoa em personagem, mas sim causar um efeito visual,
uma expressão do belo. A pintura corporal deriva, segundo Beto
França, dos efeitos plásticos obtidos com elementos visuais
como linha, forma, cor, volume e textura, assim como dos princípios
de organização, composição, equilíbrio,
harmonia, ritmo e movimento. Além disso, segundo ele, o domínio
da técnica do desenho é uma das ferramentas fundamentais
para a execução desse trabalho.
Na
pintura corporal, o maquiador explora a sensibilidade e a criatividade
em conjunto com técnicas de composição artística,
o desenho, a pintura e produtos cosméticos específicos,
adequados à prática dessa arte. Antes de existirem os
recursos de hoje, uma das maneiras que os artistas usavam para resolver
a questão das tintas para o corpo era misturando pasta d'água
com corante para alimentos, ou óleo para bebê ou de amêndoas
com pigmentos. Beto França diz que infelizmente quase todos os
produtos utilizados hoje para a maquiagem artística são
importados e caros. Por isso mesmo ocorrem algumas aberrações
do uso de algumas pinturas à base de tintas a óleo e até
látex com as conseqüentes queimaduras de pele.
As
maquiagens de pintura corporal devem ser feitas com pasta d’água
neutra, portanto atóxicas, e os pigmentos de origem comestíveis.
Mesmo assim, Beto França diz que a cor vermelha deve ser evitada
nas mucosas, uma vez que o pigmento que resulta nessa cor provêm
de um inseto produzido em laboratório.
Um
inconveniente da pintura corporal, principalmente do ponto de vista
do artista, que quer ver suas obras eternizadas, é que ela é
uma arte efêmera. Demora horas para ser concebida, esboçada
no papel, materializada na anatomia humana e, se não for registrada
em forma de imagem fotográfica ou cinematográfica, ninguém
mais poderá admirá-la.
Mesmo
assim há muitos apreciadores. Além de expressão
da arte e do uso prático em publicidade e eventos, segundo Beto
França, a pintura corporal vem sendo procurada, por exemplo,
pelo companheiro ou companheira que quer dar-se de presente num aniversário
de casamento. É também uma forma de “vestir”
uma personagem, prática cada vez mais comum atualmente para as
pessoas que conseguem se livrar de preconceitos para mostrar o seu interior,
a sua cara e as suas fantasias.
Mais
detalhes do trabalho de Beto França podem ser vistos no site:
www.betofranca.com.

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