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Artes & Artistas

Resgatando a cor e o brilho
de obras de arte

16/jun/09

Uma obra de arte restaurada em razão de um acidente ou pela exposição em condições adversas, tem de ficar com uma aparência exatamente igual a de quando foi criada pelo artista? A resposta para muitas pessoas é sim, mas ela não corresponde à realidade. A principal tarefa de um restaurador de uma obra de arte de valor cultural é recuperar a peça dando a ela a maior unidade possível, mas sem procurar esconder o trabalho de restauração.

A restauradora Márcia Rizzo, com formação em artes plásticas e pós-graduada em química aplicada à restauração, explica que a restauração deve ser reversível e não interferir na composição criativa do artista. O restaurador deve utilizar-se de técnicas que sejam identificáveis.

Márcia, que é diretora da MRizzo Restaurações, em São Paulo, observa que, embora muitos restauradores italianos sejam contra, atualmente há uma corrente de restauradores ingleses e norte-americanos que defendem um trabalho de restauração minucioso mais próximo ao original. Eles justificam que hoje não faz mais sentido a preocupação de não confundir o observador de uma obra recuperada, uma vez que agora existem técnicas sofisticadas, como espectrofotometria, microscopia e processos de radiação ultravioleta, que permitem identificar com facilidade eventuais adulterações ou falsificações.

De toda forma, um restaurador idôneo não inventa, não cria em cima de uma obra que não é sua. Márcia Rizzo diz que compete ao profissional restaurar a cor e o brilho de uma obra danificada ou deteriorada pelo tempo, mas, se não houver informações e documentação histórica sobre a obra como um todo, que permitam recuperar os detalhes artísticos das partes danificadas, essas devem ser apenas identificadas e se proceder o quanto possível à recuperação física do objeto de valor cultural.

O trabalho de restauração será tanto melhor possível quanto for o conhecimento de história da arte e também de química do profissional. Afinal, são conhecidas obras de valor cultural de mais de dez mil anos e, ao longo dos tempos, os materiais utilizados pelos artistas evoluíram bastante. Por exemplo, a matéria-prima que dava origem à cor branca era o chumbo, hoje quase banido das tintas por ser considerado cancerígeno. Atualmente a cor branca nas tintas artísticas e imobiliárias vem do dióxido de titânio.

Na Antiguidade, os artistas pintavam com tintas produzidas principalmente com a mistura de pigmentos com óleo de linhaça. Estas tintas passaram a ter uma melhor qualidade no Renascimento, uma vez que eram preparadas pelos próprios artistas. Mas mesmo obras produzidas nesse período não resistiram sem algum comprometimento às adversidades do tempo.

Quando pintavam suas obras, ao final do trabalho os artistas aplicavam verniz à tela para proteger a criação. Mas mesmo nesses casos, por ação da luz principalmente, as cores e o brilho de muitas obras ficavam quase imperceptíveis. Aqui entra então o trabalho do restaurador para restituir a vida das obras artísticas de valor cultural.

De acordo com Márcia Rizzo, atualmente os processos e os equipamentos avançaram bastante tecnologicamente, mas as tintas artísticas deixam um pouco a desejar, já que a preocupação com a duração do trabalho não é grande. Para o restaurador, a arte contemporânea dificultou um pouco o seu trabalho. Márcia explica que antes o processo de produção artística era mais metódico e a eventual recuperação de uma obra era menos difícil. Atualmente o artista utiliza o mais possível os objetos a sua disposição, por exemplo, asas de borboleta ou uma esponja de palha de aço aplicada à tela, atitude que torna quase impossível a preservação do trabalho, quanto mais a recuperação de uma obra criada em tais circunstâncias.

Veja também:

- A importância da cor na obra do artista plástico

- A cor como fonte de inspiração

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