23/mar/05
“Grande
parte da força de uma imagem está ligada à combinação
de cores e ao uso de suportes e pigmentos adequados”, assim define
o artista gráfico Morandini, de São Paulo. Para ele, uma
obra de composição forte e equilibrada pode perder muito
de seu caráter expressivo se os materiais não forem bem
escolhidos e não tiverem afinidade entre si. A escala de cores
também deve ser cuidadosamente estudada para que o trabalho não
perca a carga dramática e o poder expressivo.
O
artista diz que costuma fazer um esboço bem definido e, em seguida,
aplicar diversas possibilidades cromáticas nele. “Quando
digo 'possibilidades cromáticas', quero dizer nuances e tons,
pois a concepção geral das cores já está
na obra desde os primeiros rascunhos”, completa ele, acrescentando
que as cores têm tanta importância em seu trabalho quanto
as formas.
Quando
está esboçando algum novo desenho, mesmo que usando lápis
e papel, as cores já costumam ir brotando em sua cabeça
ainda nessa fase de rascunhos. Uma pequena parte da expressão
está associada à forma e a enorme carga emocional daquilo
que faz está sempre ligada às cores, que costuma usar,
sem nenhum pudor e sem nenhuma economia.
As
obras de Morandini primam pelas cores quentes. Elas refletem a simplicidade
e o positivismo com que ele vê a arte e a enorme força
que a comunicação visual tem. Essas cores quentes, porém,
geralmente vêm ancoradas ou calçadas por cores frias, que
ajudam a aumentar a vivacidade dos tons quentes, como se fossem coadjuvantes
do espetáculo.
De
maneira geral, seu trabalho é bastante eclético no que
diz respeito ao formato e ao uso das imagens, indo das pequenas ilustrações
editoriais até murais e painéis de grande formato, passando
pelas telas de formato médio. Nos murais e painéis, costuma
usar tinta látex ou acrílica. Nas telas, usa apenas acrílica,
pois além da secagem relativamente rápida, as cores são
firmes e não sofrem mudanças com o tempo. Como trabalha
com grandes áreas chapadas, isso é de fundamental importância.
Nas
ilustrações, Morandini trabalha com guache e, eventualmente,
com acrílica. A escolha das tintas e das cores sempre deve ser
feita em detrimento da função da obra. Um mural que vai
compor a decoração de uma casa noturna é totalmente
diferente de um painel que vai ser instalado próximo ao deck
da piscina de um clube, por exemplo. Tanto as variáveis de iluminação
quanto o aspecto psicológico de ambas as situações
devem ser considerados. O brilho, a textura e a firmeza das cores influenciam
muito no resultado final, observa o artista.
Morandini
é, acima de tudo, um criador de imagens, que desenvolve seu trabalho
em diversas áreas. É graduado em Comunicação
Social - Publicidade & Propaganda e Jornalismo - e estudou Design
Gráfico e Ilustração. Em 1985 abriu seu estúdio,
onde faz ilustrações editoriais, publicitárias
e desenvolve logotipos e programas de identidade visual.
Trabalha
com uma grande variedade de estilos e técnicas. Seus desenhos
e ilustrações têm sido usados em revistas, embalagens,
publicidade, peças gráficas, capas de CD, livros, vídeos
e na Internet. Realizou diversas exposições e mostras
de ilustração, design gráfico e arte.
Designer,
Ilustrador ou Artista Gráfico?
”Na verdade, sou um equilibrista que vive de fazer malabarismos
com cores e formas, tentando não cair na maioria das vezes”.
Palavras
“Meu mundo sempre foi essencialmente visual. Por esse motivo,
nunca fiz uma opção formal pela arte. Alimento meu ‘arquivo
de imagens’ em outdoors, grafites, páginas de revistas,
rostos ou até mesmo nos lugares mais estranhos e insólitos”.
“O
melhor lado dessa profissão é o de poder voar todos os
dias. Ver as coisas por outros ângulos e com outras cores”.
“Para
algumas atividades, o talento é fundamental. Não acho,
porém, que desenhar seja um dom. É apenas uma questão
de treinar o olhar, pensar e fazer a mão seguir o pensamento”.
Pergunta
Estranha
“Uma vez perguntaram se além de desenhar eu também
trabalhava. Continuo procurando a resposta até hoje”!
Tecnologia
“Sem dúvida o computador é uma ferramenta muito
poderosa. É um instrumento de aferição incomparável.
Não posso aceitar, no entanto, que ele seja encarado como um
acessório de criação, pulando a etapa do raciocínio.
Um filtro ou um efeito nunca substituirão a metodologia projetual
e o desenvolvimento natural do processo criativo”.
Artes
Plásticas
“Não tenho a ambição de ser um artista plástico.
Minhas imagens não têm o compromisso de fazer refletir.
Elas são instantâneas, transitórias e isentas de
qualquer engajamento que as artes plásticas devem ter. Essa liberdade
de poder sugar um pouco de tudo para compor meu universo visual é
fonte de imenso prazer. A linguagem gráfica, mesmo com conceitos
sutis ou sofisticados, leva a um olhar franco e direto, sem nenhum tipo
de adoração religiosa perante uma obra. Não ter
um estilo pode parecer leviano, mas é incrivelmente bom ser leviano”.
Para
conhecer mais, acesse o site: www.morandini.com.br.
|