26/jan/11
Uma oficina de arte desenvolvida pela artista plástica Lu Cilião está fazendo a diferença para as detentas de presídios de Londrina, no Paraná, que estão encontrando um novo sentido de vida. As internas, que até então viviam um cotidiano de violência dentro da cadeia, encontraram na arte uma forma singela de ressocialização.
O Projeto BEC - Bom é Cultura, criado com a participação de Lu Cilião existe há três anos e no início atendia adolescentes em situação de risco. Em 2010, a artista apresentou a ideia de desenvolver oficinas de pintura para as detentas e o resultado está sendo elogiado pelas autoridades que permitiram a iniciativa, a qual deverá ser estendida para outros presídios e cadeias da região.
Lu Cilião teve a ideia de levar arte para as penitenciárias por considerar que o sistema penitenciário não fornece as condições para que as detentas sejam ressocializadas. Lu diz que nas cadeias há muito sofrimento, é um mundo opressivo cheio de violência. “O projeto BEC está dando um grito para mudar isso, os valores na verdade não mudaram, são as pessoas que se esqueceram deles e fizeram com que estes fossem desvirtuados”, observa a artista, que em suas aulas procura destacar os valores éticos e morais.
“É necessário olhar para o seu irmão, tocar nele, beijar, abraçar, valorizar, restituindo este sentimento lindo. Só o amor pode mudar a violência”, diz Lu, lembrando que as detentas ficam muito felizes nas oficinas de arte. “É isto que recupera a auto estima, é isso que leva à ressocialização, assinala a artista, lembrando a sua felicidade em vê-las sorrindo e de imaginar uma possibilidade de vida para elas. “Não se pode mudar o começo, mas pode haver um novo final”, destaca.
Durante as aulas de pintura, as detentas retratam nas telas os desejos mais profundos: liberdade, esperança, regeneração, resgate. São sentimentos e sensações que permeiam o ambiente em que vivem e o futuro que projetam para si. As pinturas revelam o lado que ninguém vê: flores, borboletas, frutas, mar, barcos e outros elementos que, durante o tempo em que estiverem presas, estarão apenas ao alcance dos sonhos.
Uma das detentas, com pouco mais de 20 anos e presa por tráfico de drogas, resolveu mudar de vida depois que passou a ter contato com a pintura. “Ela falava que eu ia vê-la trabalhando como vendedora no shopping, dizendo que mudaria de vida”, conta a artista.
Outra participante era uma índia presa por homicídio. Ela enriqueceu o trabalho das oficinas com aquilo que lhe era familiar: o artesanato.
As oficinas de arte têm a duração de 80 horas e a participação das detentas permite a remissão de pena. Nas aulas de pintura são usadas tintas acrílicas base de água, para evitar o uso não apropriado com produtos contendo solventes ou thinner.
A iniciativa que tem patrocínio do Grupo Nós do Poder Rosa integra o Projeto Tecendo o Futuro desenvolvido pela Secretaria Municipal da Mulher de Londrina. Os trabalhos das detentas já foram mostrados em exposições no Museu de Arte de Londrina, na Câmara Municipal, na Prefeitura de Londrina e em Sertanópolis.
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