25/abr/06
Nasci
de pais humildes, minha mãe dona de casa, meu pai um artista
na costura, se fez alfaiate desde os 16 anos. Nas horas de folga, criava
peças esculpidas em pedaços de madeira que ele encontrava
pela rua. Suas ferramentas ele mesmo construía. Coisas lindas
que me impressionavam desde a mais tenra idade. Ele era meu ídolo.
Lá
pelos 5 anos, comecei a pintar (imagine o nível das pinturas).
Queria mesmo era esculpir, mas tenho uma deficiência nos pulsos,
que não me permitem fazer força. Meus pais adoravam o
que eu fazia. Aos 15 anos fiz algo mais complexo para colocar na parede
do clube da escola. Nessas alturas, meus amigos já levavam para
casa muitos desenhos meus, principalmente a reprodução
de artistas como os Beatles, Elvis. Tudo era prazeroso.
No
colégio, fui considerada, num concurso, o melhor trabalho de
artes, o que me traria uma medalha, não fosse o "esquecimento"
da professora de desenho artístico.
Gosto
de esculpir, mas fica sempre no peito o desejo de pegar nos pincéis
e deixar as cores (maior milagre criado por Deus) fluírem, iluminando
mais ainda o universo. Não há coisa ou ser que não
tenha cores. Nosso interior é irrigado pelas mais diversas cores.
Elas são essenciais a uma vida de qualidade. A maioria das pessoas
não percebe sua existência em todos os momentos, mas um
artista plástico não sobrevive sem elas.
Até
1989, pintei muitas coisas, mas havia me apegado a uma linha de trabalho
que denominei Fase Negra. As figuras pretas não tinham sequer
detalhes. De colorido, apenas o fundo. As coisas não iam bem
na minha vida, a alegria de viver não existia. Com o passar dos
tempos, meus pensamentos foram se tornando mais flexíveis e a
vida me favorecendo interiormente.
Fase
Dourada
Fiquei
oito anos sem pintar. De repente, um ímpeto me fez criar a obra
Camuflagem, onde a mariposa parece os seios da mulher, bela, solta,
relaxada, sensual, misteriosa. Não queria mais um ser sem cor,
mas multicolorido, com pele contrastando com cabelos, com vestes. Ouro:
sinônimo de riqueza. Neste caso, riqueza interior. Serenidade,
paz.
A
partir daquele momento, assino em dourado e todas as minhas obras têm
(no mínimo) um detalhe dourado. Denominei esta etapa de Fase
Dourada. Agora estou solta para usar as cores, que tanto me alucinam,
em todas as áreas de uma criação.
Cada
obra é uma obra. Não sou voltada nem às cores frias,
nem às quentes. Uso-as de acordo com a harmonia da obra. Quanto
mais colorido, mais alegre, mais vivo. Cores, isto é o que importa.
Elas são vida, movimento, luz.
Pinto
telas com tintas a óleo, acrílicas, plásticas.
Como dou cursos de artesanato em geral, uso uma infinidade de outros
materiais como tinta plástica, esmalte, massas epóxicas,
biscuit, betume, purpurina, material reciclado.
Quanto
à inspiração, ela surge sem nenhum aviso, às
vezes, contrariando toda a continuidade da linha de trabalho do momento.
Aí começa-se uma nova fase. É involuntário,
indefinido, incondicional.
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