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Artes
& Artistas |
Hobby
criativo, mais que lazer, um meio de ganhar dinheiro |
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30/mar/04 Por Harlley Alves
O novo formato é estimulado por uma velha conhecida do trabalhador: a queda do poder aquisitivo, fazendo com que as pessoas busquem fontes alternativas de renda. Não é à toa que cresce nas TVs a quantidade de programas com aulas de artesanato e do chamado faça-você-mesmo, abordando a confecção de bijuterias, cerâmicas, marcenarias ou pinturas, divulgando o preceito do 'faça e ganhe dinheiro com isso'. Com o dinheiro curto, a solução foi inovar e esse ramo artístico passou a amparar algumas famílias, conforme observa o coordenador de produtos da Condor Pincéis, Anderson Marcelo Grossi: "famílias inteiras estão envolvidas nessa atividade e, o que era uma prática tipicamente feminina, passou a envolver toda a família, inclusive os maridos". Segundo dados da Sutaco, órgão do governo do estado de São Paulo que regulamenta a atividade, o mercado de artesanato movimenta por ano R$ 28 bilhões, ou seja 2,8% do PIB nacional, equivalente ao movimento da indústria automobilística. O número de pessoas atuantes no setor chega a 3 milhões, com rendas mensais que atingem até R$ 250 mil.
Um reflexo da expansão do trabalho com artesanato - também chamado de hobby criativo - são as feiras que movimentam o setor. Para se ter uma idéia, foram criadas várias feiras comerciais dirigidas a esse público em muitos pontos do país. Em São Paulo, por exemplo, mal terminou a realização da Artesanal e já começou a Hobbyart, ambas as feiras com presença significativa de visitantes. Na tentativa de conquistar esse público qualificado, é cada vez maior o número de empresas interessadas em participar desses eventos. Faiga analisa de modo positivo a divulgação dos produtos, uma vez que essas novidades estimulam a prática do artesanato. "Mais do que isso, percebemos uma qualidade crescente nos produtos, motivada pelo modo severo com que o profissional de artesanato trata as questões de qualidade." Outro ponto destacado é que a maioria dos fabricantes faz pesquisas com os próprios artesãos, antes de disponibilizar seus produtos. Como conseqüência disso, as melhorias já começam a aparecer: as tintas nacionais, por exemplo, têm apresentado nível de qualidade internacional e já não amarelam como era comum no passado, observa a editora.
A coordenadora de marketing da Pincéis Tigre, Silvia Aparecida Fernandes, destaca, ainda, que o primeiro passo para que o hobby criativo se tornasse uma atividade rentável foi a profissionalização do artesão, que atualmente tem respaldo legal e pode emitir nota fiscal da obra comercializada. Silvia diz que o credenciamento deles junto ao governo permitiu que essa classe de profissionais saíssem da informalidade, podendo cobrar de seus fornecedores as condições que esse ramo precisa. "Toda a cadeia de fornecedores, abastecedora desse segmento, teve que acompanhar com tecnologia de ponta essa novidade. Tivemos de renovar cabos, design, anatomia, pesquisando de produtos a formatos, para atender a demanda de criatividade dos artistas", completa a representante da Tigre. Osny F. Júnior, do departamento de marketing da Acrilex, explica que as novidades em cores e produtos são idealizadas de modo que o profissional não tenha a criatividade limitada. A característica do produto reflete diretamente na peça e em como a pintura é realizada, "daí porque precisamos de harmonia de cores e qualidade. Para os artistas e as pessoas que se dedicam ao hobby criativo, o acabamento é importante e por isso exigem mais qualidade dos produtos que usam em seus trabalhos". |