10/out/02
Por
Luiza Marcondes
A
arte de pintar paredes com objetos inusitados como folhas de papel,
esponjas e espumas é uma das técnicas desenvolvidas pelo
professor de pintura especial Gary Walker. Há quase vinte anos
ele trabalha com a invenção de novos métodos de
aplicação de texturas. Para criar efeitos diferentes em
paredes, ele abusa da criatividade e desafia os manuais de passo-a-passo
descritos nas embalagens de massas e tintas.
"Eu
sempre contrario o que os fabricantes de massas dizem. Se falam para
não diluir, eu acrescento água", diz o americano
que escolheu o Brasil para apresentar seus conceitos de pintura decorativa.
Com a "teimosia", já desenvolveu mais de 60 métodos
de aplicação de textura e não pára de inovar.
Uma de suas técnicas é a rock pátina, pintura que
imita pedra. "Quem vê a parede pintada tem a certeza de que
ela é toda de mármore ou granito", diz. Mas para
um bom efeito, a iluminação tem de ajudar. Walker costuma
alertar seus clientes que a luz interfere muito no acabamento final.
"Às vezes, na loja a tinta parece de uma tonalidade e quando
aplicada, de outra. Isso acontece porque a luminosidade é diferente
em cada ambiente".
Atualmente,
Gary ministra workshops de pinturas especiais e decorativas nas cidades
do Rio de Janeiro e de Curitiba. Para participar de suas oficinas não
precisa ser artista e nem trabalhar diretamente com tintas. Basta ter
vontade de aprender e usar a criatividade. O professor ensina algumas
de suas técnicas e deixa o aluno à vontade para utilizar
a que ele melhor se adapta. "Deixo a pessoa livre para experimentar
novas formas de aplicação de pintura e incentivo-as a
inventarem outras coisas", conta.
Segundo
ele, a aceitação do público é grande, mas
o preço dos produtos, principalmente o de massas especiais, impede
que a casa dos brasileiros tenha mais pinturas decorativas. "Ainda
é muito caro para grande parte da população a aplicação
da textura", comenta. Por isso, Walker resolveu mesclar em suas
oficinas regras básicas e sofisticadas para que a própria
pessoa possa fazer o trabalho sozinha. Gary diz que a textura é
uma tendência no mercado de decoração porque ela
aproxima o ser humano. "Inconscientemente, a pessoa tem o desejo
de tocar a superfície com carinho porque sabe que tem relevo",
diz.
Aliado
às pinturas especiais, Gary trabalha também com as cores.
De acordo com ele, a escolha da tonalidade mais adequada ao ambiente
é uma das grandes dificuldades no momento da compra. Para não
errar, ele ensina que matizes fortes são mais indicados para
ambientes pequenos ou para destacar detalhes da arquitetura. Também
podem ser aplicados em apenas uma parede do cômodo para valorizar
o espaço.O Walker afirma que a tendência atualmente é
o uso de tons terra. "A procura dessas tonalidades é um
reflexo da poluição visual e da agitação
dos grandes cidades", diz. Para o profissional, as pessoas estão
buscando a proximidade com a natureza. Elas querem transformar a casa
num ambiente tranqüilo e acolhedor.
Procurando
personalizar seus trabalhos, Walker não pára de inventar.
Entre suas ferramentas de trabalho, os pincéis e os rolos de
pintar estão bem longe. Ele prefere usar pedaços de pano,
espuma e até penas. "Acredito que com materiais baratos
seja possível transformar alguém em artista", diz.
Gary
Walker começou sua carreira nos Estados Unidos em 1983, quando
se formou na Universidade do Tennessee e no Holly Names College. Na
América, conquistou os primeiros clientes e passou a dar aulas
de técnicas de pintura de interiores. A cada nova oficina que
dava percebia o interesse das pessoas em aplicar os métodos desenvolvidos
em sala de aula para dentro de suas residências. Depois de alguns
anos, deixou a América e veio para o Brasil, país que
adotou como pátria e não pretende sair.
Em
solo verde e amarelo desenvolveu uma resina acrílica especial
à base de água, especialmente para ser aplicada em clínicas
e hospitais.O material, de acordo com o profissional, não é
tóxico, não tem cheiro forte e a manutenção
não é complicada. O Hospital Santa Cruz, em Curitiba,
foi o primeiro a utilizar o produto. "A aplicação
foi feita há cinco anos e até hoje conserva a aparência
de recém-pintada", conta.
Até
o fim do ano, o pintor estará ensinando suas técnicas
de pintura decorativa em workshops nas cidades de Curitiba e Rio de
Janeiro. Mais informações no site www.fauxfantastics.com.

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