Documento sem título
Documento sem título
 
Documento sem título
Artes & Artistas

Arte, a mistura do inconsciente e do racional

11/ago/04

Por Nara Rezende

Cores vibrantes e o uso de formas geométricas sobrepostas ao efeito do claro-escuro. É, assim, que são feitas as obras do artista Eduardo Dhelomme. Suas esculturas e pinturas surgem através do contato com museus e galerias franceses. O artista define seu trabalho como uma fusão do abstracionismo lírico e do surrealismo abstrato.

“Surrealismo é quando eu vejo uma tela branca e às vezes não vem nada. De repente, vem a idéia, lá do automatismo psíquico. A concepção nasce da força do inconsciente”, diz Eduardo. A paixão pelo trabalho, que toma conta do artista há 50 anos, tem o escritor Carlos Cavalcanti como base. “Eu não criei nada, tudo o que eu faço, as idéias que sigo vêm da teoria de Cavalcanti. Assim, há para o artista dois processos fundamentais. Depois que a idéia surge é que eu penso o que vou acrescentar, as linhas, a perspectiva, aí, eu não falo mais de surrealismo abstrato e, sim, de abstracionismo lírico”, afirma Dhelomme.

Num primeiro momento, as cores e formas são criadas de maneira livre. Aqui, a intuição tem destaque. Logo depois, o processo torna-se mais racional. Nessa fase, as modificações são realizadas seguindo recursos técnicos. Tudo é importante, a perspectiva, os detalhes, o efeito claro-escuro.

Trajetória

A primeira exposição, em 1962, na cidade de Paris, marca o início da carreira de Dhelomme. Apesar de ter nascido no interior paulista, em Araraquara, foi aos três anos para a Europa. Viveu em Portugal e, depois, foi para o sul da França.

Aos 17 anos alista-se como voluntário na Segunda Guerra Mundial e ganha a missão de encontrar campos de pouso para aviões aliados. Com a queda da França, em junho de 1940, Dhelomme presencia a tristeza da população.

Em 1942, o artista se esconde no campo, já que os nazistas institucionalizaram o serviço obrigatório. Mas, a contribuição para outro país faz com que a cidadania de Eduardo seja suspensa. Com o final da Guerra, freqüenta a Escola Militar de Dracy Le Fort. Cansado, pede para ser desligado. A partir daí, o contato com a vida cultural da França, o movimento surrealista, e artistas como “Yves Tanguy”, “Hans Arp”, “Matier” e “Jackson Pollock” adentram na obra de Eduardo.

Depois da primeira exposição, consegue, novamente, o passaporte brasileiro e vem para a VII Bienal de São Paulo, em 1963. Pela primeira vez, todas as obras de um único artista são aprovadas para a exposição.

Após expor no Rio de Janeiro e, em 1975, na Galeria Maison de France, em São Paulo, Eduardo interrompe a carreira por motivos pessoais. Passa por uma fase figurativa, já que, segundo o próprio artista, infelizmente, é mais popular e vende mais. Hoje, a paixão e o gosto pela arte parecem ter a mesma intensidade que antes. “O abstracionismo é emoção pura, não tem explicação. Minha arte é isso”, conclui.

Envie essa matéria a um amigo:
Seu Nome:

Seu E-mail:

E-mail do seu amigo:


 
Documento sem título
Documento sem título