10/abr/01
O
grafite, uma arte que surge das ruas e um dos elementos da cultura
Hip Hop, amplamente difundida nos Estados Unidos, ganha cada vez
mais espaço entre os jovens brasileiros das periferias urbanas.
Na verdade, desde a década de setenta, esta expressão plástica
juvenil encontra-se presente no visual dos grandes centros urbanos.
Em muitas cidades estão sendo criadas oficinas culturais para
aprimorar esta arte e para a formação de jovens da periferia
que, além de buscarem uma maneira de expressão artística,
estão encontrando uma forma de desenvolver uma atividade
profissional através das tintas e cores. O spray e o latex são
os materiais mais utilizados para o grafite.
O
Centro Cultural Canhema, conhecido também como Casa do Hip Hop,
um espaço mantido pelo Departamento de Cultura da Prefeitura de
Diadema, na Grande São Paulo, é uma das entidades conceituadas
que se dedicam à formação e difusão cultural e onde o grafite
tem o seu espaço. Fundado em 1995, o local atende cerca de 700
pessoas semanalmente, oferecendo oficinas culturais gratuitas de
grafite, break, D.J., dança, violão, coral infantil, teatro,
percussão, coral adulto, além de biblioteca e outros eventos
gratuitos.O
Projeto da Casa do Hip Hop para o grafite visa aprimorar esta arte
partindo da formação de jovens da periferia. É um processo
lento que teve imediata aceitação dos adolescentes, sendo o
curso de maior demanda da Casa do Hip Hop. Ultimamente, várias
escolas da rede estadual têm manifestado interesse em exibir
trabalhos em grafite em seus prédios, o que demonstra que a
educação formal procura aproximar-se da linguagem dos jovens e
inibir assim as pichações e depredações.
Através
do apoio cultural que a Casa do Hip Hop está recebendo, jovens
carentes de Diadema estão tendo acesso a cultura do Hip Hop. No
caso específico do grafite, são ministrados cursos por
grafiteiros renomados, fazendo com que os jovens percebam que
podem expressar sua criatividade através dessa forma de arte,
evitando assim a pichação de espaços comunitários e a
degradação do patrimônio público das cidades, resultando na
diminuição da violência.A
oficina de grafite é destinada a jovens de 12 a 20 anos, sendo
que a formação básica é feita em dois módulos de seis meses
cada. Cada aluno freqüenta uma aula semanal com duração de duas
horas. São abordadas as principais técnicas do grafite, desde o
esboço do trabalho, passando pelo estudo de cores, pesquisa de
desenhos e a finalização (uso do spray).
O
artista plástico e grafiteiro Antônio Duque de Souza Neto, o
Tota, é um dos formadores artísticos da casa do Hip Hop. Natural
de Riacho de Santana, na Bahia, Tota é autodidata e já fez de
tudo antes de se tornar artista. Foi barman, ajudante de pedreiro
e de serviços gerais. Nas artes, começou pintando camisetas para
grupos musicais, foi desenvolvendo-se no grafite e só depois
sentiu a necessidade de adquirir conhecimentos eruditos sobre
harmonia e combinação de cores.Além
das aulas no Centro Cultural de Diadema, Tota desenvolve vários
trabalhos ligados ao grafite e, no momento, expõe as suas obras
no Museu de Santo André-SP. A mostra com o título Novidades, tem
quadros a óleo 50X80 cm, madeirits 2X1 m e bandeiras de 0,50, 2 e
4 m, retratando as questões sociais, a burocracia e os desmandos
na política. A exposição começou dia 4 e vai até 30/4, na
sala especial do museu, na rua Senador Fláquer, 470, em Santo
André-SP.
A
Casa do Hip Hop – Centro Cultural Canhema fica na rua 24 de
Maio, 38 – Jardim Canhema – Diadema-SP - fone (11) 4057-7973.
|