14/out/02
Por
Harlley Alves
Um
misto de cultura, harmonia, consciência política, pichação
e arte. É assim que o artista plástico Juan José
Balzi, de São Paulo, enxerga os grafites mostrados em muros de
quase todas as cidades brasileiras. Com base nas informações
de quilômetros de muros pintados que interferem na estética
dos ambientes urbanos, o artista decidiu realizar parcerias com grafiteiros,
procurando melhorar a aparência das ruas.
De
acordo com o artista, o grafite tem forte influência da cultura
Hip Hop e 99% da pintura nas ruas vêm dele e da arte popular.
A maior parte dos trabalhos é feita com tintas látex.
Balzi,
que também é professor de desenho e de História
da Arte, diz que o grafite pressupõe uma combinação
elegante de cores, trazendo uma estética mais agradável
aos muros. Ele vê o grafiteiro como um artista espontâneo,
que imagina as cores no momento do uso.
Com
uma proposta artística para os muros da cidade, Balzi tem desenvolvido
um trabalho com os grafiteiros, ensinando noções de composição
e chamando atenção para a interferência que seus
trabalhos provocam no ambiente.
Dessa
primeira ação nasceu o projeto para a produção
de murais, fazendo dos muros, telas de pintura. Segundo Balzi, há
um tipo de pintor que é engajado na comunicação
com o público e o muro é o espaço ideal para estabelecer
esse contato.
Para
o professor, a arte trata, sobretudo, de estética, um aspecto
relacionado com a qualidade de vida, com a beleza e a cultura das metrópoles.
Aqui o foco dos trabalhos do artista fica mais evidente e diz respeito
à melhoria da aparência urbana.
De
acordo com o artista plástico, existe hoje "uma exaltação
do feio nas ruas, uma total falta de harmonia, definida por ele como
cultura do lixo". Balzi diz que suas idéias estão
intimamente ligadas à redução da poluição
visual das cidades. "A cidadania seria mais bem explorada se cada
um pensasse na harmonia entre as cores das fachadas das casas, melhorando
a composição dos bairros", completou.
Para
o artista, a falta de parâmetros do visual de São Paulo,
por exemplo, está inserida em questões políticas
e na falta de interesse pelo patrimônio público. Balzi
reclama da ausência de ações eficazes das instituições
que deveriam cuidar da estética dos muros e fachadas das cidades.
"As prefeituras ignoram a intenção do artista de
levar seus conhecimentos, relegando às ruas a falta de harmonia
e de composição de cores", afirma.
Segundo
Balzi, a ação das prefeituras se limita à cultura
Hip Hop, um trabalho baseado na imagem do pichador e do grafiteiro,
esquecendo dos demais artistas. Além disso, observa que os fabricantes
de tintas, quando contribuem para projetos nas ruas e escolas, ajudam
com cores ruins, sem avaliar o impacto interior e exterior que vão
causar.
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